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Goleiro Aranha e coletivo de comunicação recebem Prêmio Direitos Humanos

 

Marcelo Brandão e Paulo Chagas – Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro

 

Presidenta Dilma Rousseff entrega o Prêmio Direitos Humanos 2014 ao goleiro Aranha, do Santos    Wilson Dias/Agência Brasil
Presidenta Dilma Rousseff entrega o Prêmio Direitos Humanos 2014 ao goleiro Aranha, do Santos Wilson Dias/Agência Brasil

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) entregou hoje (10) o Prêmio Direitos Humanos a 21 nomes que se notabilizaram, em diversas áreas, pela defesa da cidadania no Brasil. Em sua 20ª edição, o prêmio foi entregue a instituições como a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), o Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes), além de personalidades como o goleiro Aranha e a estudante Mikhaila Copello.

Nascida há seis anos, a CCIR é representada por várias religiões, como candomblecistas, umbandistas, budistas, católicos, protestantes, judeus, kardecistas, hare krishnas, além de ateus e agnósticos. “Afinal de contas, Deus não disse para seguirem um só caminho, deu a todos o livre arbítrio. Então, quem não acredita Nele tem que ser respeitado por isso”, explica Ivanir dos Santos, interlocutor da comissão.

A CCIR já encabeçou ações como a Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, no Rio de Janeiro, e a Celebração do Dia Nacional de Combate à intolerância Religiosa – 21 de janeiro – na Cinelândia, também no Rio de Janeiro. “O nosso trabalho é único no Brasil, reunindo várias religiões, e é muito importante. Ninguém tem o direito de, a partir de sua religião, perseguir nem discriminar ninguém que não segue seu caminho. Para a comissão, mostra que é um farol pra ser seguido.

O Intervozes teve dupla participação no evento. Além de receber o prêmio, ocupou uma cadeira no Conselho Nacional dos Direitos, cujos integrantes tomaram posse na mesma solenidade. “É o reconhecimento do trabalho de 11 anos, que vem sendo feito para garantir que os direitos humanos sejam respeitados na mídia, e também para garantir o exercício da liberdade de expressão de toda a diversidade cultural que a gente tem no Brasil”, explicou Bia Barbosa, uma das coordenadoras do coletivo.

O trabalho do Intervozes, criado em 2003, é de monitorar violações de direitos humanos praticadas por meios de comunicação em sua programação. Conteúdos machistas, racistas, homofóbicos, ou que violem direitos das pessoas com deficiência, são encaminhados para o Ministério Público e para o Poder Judiciário pelo Intervozes. Recentemente, o coletivo lançou o Guia de Mídia e Direitos Humanos, dando dicas para os jornalistas que trabalham na cobertura de direitos humanos sobre como se referir a determinados assuntos no exercício da profissão.

A ministra da SDH/PR, Ideli Salvatti, destacou ainda a premiação de dois brasileiros que, a rigor, não seriam lembrados, mas se viram em situações que os marcaram como símbolos de combate ao preconceito e luta pelos direitos humanos. “Um foi do [goleiro] Aranha, que enfrentou o preconceito que veio da arquibancada. A outra foi a Mikhaila. Ela, com toda a fragilidade dela, se transformou numa leoa e impediu um linchamento”.

Estudante de arquitetura e urbanismo, Mikhaila se pôs entre um adolescente e várias pessoas que tentavam linchá-lo, após o acusarem de um assalto, no Rio de Janeiro, em maio. Ela guardou a integridade do jovem até a chegada da polícia. Depois desse episódio, sua figura é associada à garantia de direitos humanos.

Já o atleta do Santos Futebol Clube extrapolou as páginas esportivas após ser hostilizado, de forma racista, por torcedores adversários durante uma partida de futebol. Aranha reclamou com a arbitragem e, após o jogo, formalizou denúncia contra os atos de racismo sofridos. Aranha recebeu manifestações de apoio de todo o Brasil, e a repercussão do caso levou ao indiciamento de alguns torcedores que o insultaram.

A premiação coincide com o dia da entrega do relatório final da Comissão Nacional da Verdade. Um dos premiados foi Clodesmidt Riani, pela sua luta contra a repressão política. Atuante na luta pelos direitos dos trabalhadores, foi presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, fundou o Comando Geral dos Trabalhadores e liderou a greve de 700 mil trabalhadores, em São Paulo.

 

 Presidenta Dilma durante entrega do Prêmio Direitos Humanos 2014 a Luiz Claudio Alves, na categoria Garantia dos Direitos das Pessoas com Deficiência Wilson Dias/Agência Brasil

Presidenta Dilma durante entrega do Prêmio Direitos Humanos 2014 a Luiz Claudio Alves, na categoria Garantia dos Direitos das Pessoas com Deficiência Wilson Dias/Agência Brasil

Riani também liderou o comício na Central do Brasil, que reuniu 200 mil trabalhadores, em março de 1964. Em 5 de abril de 1964, ele se apresentou à região militar de Juiz de Fora porque, em suas palavras, achou que não devia nada a ninguém. “Fui para o quartel e me apresentei. Imediatamente, comuniquei ao coronel da minha posição. Ele falou: ‘Mas você está salvo, é só você assinar aqui que o Jango e o Brizola são comunistas’. ‘Oh, coronel, você sabe que não é, eu não posso assinar’. De repente vêm dois oficiais que me levaram para um lugar, e levou vários soldados, aí começaram a chutar meu tornozelo e dar murros”, disse Riani, que conta já ter recebido 42 medalhas e manifestou “muita satisfação” em receber mais um prêmio.

 

Responsável pela entrega dos prêmios junto com Ideli, a presidenta da República, Dilma Rousseff, agradeceu à atuação de todos os premiados. “Me orgulha muito estar aqui para que a gente reconheça as iniciativas de brasileiras e brasileiros que diuturnamente defendem os direitos humanos. Cada uma das pessoas e instituições que receberam o prêmio têm o maior e mais profundo reconhecimento do governo brasileiro”.

 

 

Extraído do site da EBC Brasil / Agência Brasil
http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-12/goleiro-aranha-e-coletivo-de-comunicacao-sao-premiados-pro-direitos-humanos

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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