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 Editora Corrupio lança livro sobre o orixá Xangô

 

Verena Paranhos | Seg, 22/02/2016 às 12:49

 

 

 

 Pierre Verger / Editora Corrupio / Divulgação Sacerdote de Xangô dança portando indumentária
Pierre Verger / Editora Corrupio / Divulgação
Sacerdote de Xangô dança portando indumentária

 

Lá fora o sol iluminava o mar azul de Ondina, mas na sala apinhada de lembranças podia-se sentir que os raios e trovões de Xangô rodeavam a conversa, fazendo justiça à sabedoria construída ao longo de 50 anos de vida conjunta.

Para a antropóloga Juana Elbein dos Santos, falar do orixá do panteão nagô é também falar de Deoscoredes Maximiliano dos Santos (1917-2013), o notável escultor Mestre Didi Asipá, com quem assina o livro Sángò (Corrupio, 76 p).

A publicação, que aborda diversos aspectos da divindade em meio a  memórias do casal, será lançada nesta quarta-feira, às 18 horas, na Livraria LDM (Espaço Glauber Rocha).

“Xangô representa em si tudo que a humanidade é capaz de sentir, de presentificar pelo trovão, quentura, calor. Ele reúne tudo: destruições, guerra, ciúme, mas ao mesmo tempo amor, carinho, afetuosidade”, afirma, com o sotaque peculiar, a argentina de origem judaica.

Segundo Juana, foi Didi, Sumo Sacerdote  do Culto aos Ancestrais e fundador do Ilê Asipá,  quem a introduziu à verdadeira diversidade cultural. “Antes dele, a diversidade cultural que eu tanto pesquisava era um conceito vazio. Para Didi, Xangô significava identidade” resume a senhora de 86 anos, com os olhos azuis já mareados.

“Xangô  representa virilidade e procriação. É a continuidade da existência. Herói mítico e dinástico, extrapola a concepção de mundo nagô”, afirma a agnóstica que ajudou a fundar o Ilê Asipá.

Fotos e manuscritos

Sángò (grafia em nagô) reúne textos escritos durante diversos momentos da vida do casal, no Brasil e na África. A obra soma-se à Èsù (2014) e Arte Sacra e Rituais da África Ocidental no Brasil (2015), concluindo a coletânea em três volumes da Corrupio, de autoria de Juana e Didi. Os três livros contaram com apoio financeiro do Fundo de Cultura do Estado da Bahia.

Sángò traz imagens de manuscritos da antropóloga, fotografias de Pierre Verger que retratam sacerdotes de Xangô na Nigéria e no Benin e textos do antropólogo nigeriano Wande Abimbola e do linguista  Olabiyi Babalola Yai.

Atualmente, Juana luta para preservar o acervo artístico de Mestre Didi, juntamente com a Sociedade de Estudos da Cultura e das Diversidades Culturais (Secneb), responsável pela curadoria editorial e consultoria do livro. Além disso, ela escreve o livro Juana e Didi, itinerário do bem querer.

 

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador – BA
http://atarde.uol.com.br/cultura/literatura/noticias/1748872-editora-corrupio-lanca-livro-sobre-o-orixa-xango

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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