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Festa temática reforça identidade cultural

Meire Oliveira |

 

Adilton Venegeroles l Ag. A TARDE As irmãs Gisele Matamba e Cecília Kadile lideram o Instituto Matamba
Adilton Venegeroles l Ag. A TARDE
As irmãs Gisele Matamba e Cecília Kadile lideram o Instituto Matamba

 

Decoração com tecidos africanos, caminho até o altar coberto com folhas e equipe de receptivo em trajes com estampas étnicas. Sem a atuação de uma assessoria especializada, a coordenadora administrativa Milla Costa, 40 anos, não teria o casamento dos seus sonhos.

“Sou de candomblé, meu Carnaval é em bloco afro e, em todos os aspectos da minha vida, tenho essa referência étnica. Então, queria isso no meu casamento também”, contou Milla.

A demanda do público que busca retratar sua identidade cultural tem estimulado o surgimento de especialistas na área. A necessidade de ampliar a representação da comunidade negra e sua herança africana nos eventos e cerimoniais em Salvador fez as irmãs Cecília Kadile, 25 anos (estudante de design de moda), e   Gisele Matamba, 29 anos (formadora de dança afro), fundarem o Instituto Matamba.
A empresa realiza eventos como casamentos, formaturas, aniversários, congressos, seminários, conferências, jantares e coquetéis temáticos e oficinas de turbantes.

O começo

“Passamos uma temporada em Brasília, e as pessoas ficavam encantadas com os turbantes que usávamos no dia a dia. Foi quando surgiu o convite para uma oficina de turbantes e resolvemos investir na área e ampliar os serviços na volta para Salvador”, contou Gisele, que, também com a irmã, fez o curso profissionalizante de estética negra na ONG Omi-dùdú.

Uso de tecidos africanos, esteiras, peças de barro, água de cheiro, tecidos africanos, máscaras, arranjos com folhas como espada-de-ogum, palha-da-costa e água-de-alevante-graúda na decoração marcam o diferencial. Nos serviços oferecidos, a dupla que comanda o instituto há cinco anos já criou uma espécie de assinatura do trabalho.

A partir de uma conversa com o cliente, a produção começa  a ser elaborada. “O consumidor negro quer algo com que se identifique. Elaboramos uma proposta e vamos adequando ao perfil. Alguns também gostam de sugerir”, contou Cecília. O Balé Folclórico da Bahia, as fundações Palmares e Pedro Calmon, além do Acervo Boca de Cena já utilizaram o serviço do instituto.

No caso de Milla Costa, a opção foi deixar tudo sob a responsabilidade das meninas: “Quando entrei na igreja e senti o aroma das folhas, vi o colorido dos tecidos e as recepcionistas com trajes africanos, tive  certeza de ter feito a escolha certa”.

Após a busca sem êxito por profissionais que organizassem o casamento, ocorrido em 2013, da forma que sonhava, a carioca Thaísa Barros resolveu criar a Igbeyawo Casamentos Afro, que funciona em Salvador.

“Queria casar de turbante e usar elementos como búzios e outras referências da cultura afro-brasileira. Que os meus convidados pudessem reconhecer a nossa ancestralidade na cerimônia”.

Para o fortalecimento do mercado específico, Thaísa resolveu ir além. Desde  2014, já realizou sete edições da feira de empreendedorismo negro, que teve  lançamento nacional em setembro do ano passado no Rio de Janeiro. “A proposta é montar uma rede de fornecedores para fomentar o mercado de serviços para casamentos com essa temática”, disse.

O pequeno João festejou os 2 anos com o tema Kirikou (Foto: Mateus Pereira/ Divulgação)
O pequeno João festejou os 2 anos com o tema Kirikou (Foto: Mateus Pereira/ Divulgação)

Ritual e Cia.

O público infantil é a aposta da Ibeji Festas, que também trabalha com decoração de obrigações religiosas do candomblé e aniversários adultos. “Quando trabalhava em uma casa de festas, perdia clientes por não ter cenários e peças de personagens negros. Quando a loja fechou, resolvi empreender e, hoje, posso atender às demandas dos meus clientes”, contou a empresária Vandrea Amaral, 40 anos.

Questões de identidade  estão sempre presentes nas escolhas das festas dos filhos do publicitário Ademir Amparo, 54: “Como isso faz parte da nossa vivência, é natural eles  escolherem temas relacionados”, disse ele, que fez o aniversário do caçula com temática do personagem africano Kirikou.

A habilidade de Vandrea com o ofício foi desenvolvida na experiência como filha de santo do Terreiro do Cobre. Daí veio a iniciativa de atuar no universo religioso do candomblé.

Assim, no último mês de janeiro, ela decorou a obrigação da auxiliar de veterinária Maiane Bispo Santos, 18 anos, que é consagrada ao orixá Iemanjá.

“Me senti segura em ter alguém que trabalha no ramo e tem conhecimento sobre a religião. E foi melhor do que tinha imaginado por conta da dedicação e sensibilidade dela”, disse Maiane.

Onde achar

Instituto Matamba – Tel.: 98647-9382 (Cecília ou Gisele)

Ibeji Festas – Tel.: 98670-7706 (Vandrea)

Igbeyawo Casamentos Afro – Tel.: 99148-1821 (Thaísa)

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador – BA
http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1759189-festa-tematica-reforca-identidade-cultural

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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