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10ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa

 

Ataques a terreiros de candomblé no Rio de Janeiro desnudam o fanatismo religioso no país

 

Terreiros de candomblé estão apavorados na Baixada Fluminense. Diversos ataques aos seus cultos religiosos vêm ocorrendo há dias. A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu alguns suspeitos e afirma que todos são envolvidos com o tráfico de drogas.

Essa violência contra religiões de matriz africana “não é novidade, mas tem se intensificado nos últimos anos”, afirma Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Para ela, a sociedade brasileira não suplanta a mentalidade escravocrata e quer exterminar a influência africana em nossa cultura. “A elite quer apagar todos os traços negros da nossa formação, se junta a isso a intolerância religiosa e o prato está feito”.

Os algozes chegaram a divulgar vídeo na internet obrigando uma mãe de santo a destruir o seu próprio terreiro. “Olha aqui, meus amigos. A capeta-chefe aí. Quebra tudo, apaga a vela… O sangue de Jesus tem poder”, dizem os criminosos.

“É o ‘capitão do mato’ do século 21, querendo o retorno da população afro-brasileira para as senzalas”, afirma Custódio. Mas, diz ela, “lutaremos como sempre fizemos para haver respeito à dignidade humana, todas as religiões são válidas e devem ser respeitadas”.

Para Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) do Rio de Janeiro, é uma ação orquestrada. “Eles foram doutrinados por alguma liderança religiosa má a fazerem isso, estão sendo manipulados. É só ver as expressões que usam nos vídeos”.

Contra tudo isso, ocorre no domingo (17), com concentração às 13h no Posto 6 da praia de Copacabana, na capital fluminense, a 10ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, com participação confirmanda de inúmeros representantes de diversas religiões.

Confira a página do Facebook da caminhada aqui.

“As coisas estão tomando uma proporção assustadora”, realça Custódio. “Fundamental punir os culpados, mas também desenvolver um trabalho de educação de toda a sociedade para respeitar o diferente e os direitos fundamentais da pessoa humana”.

Ela lembra que as religiões de matriz africana sofrem ataques cotidianos. “As pessoas ficam indignadas quando ocorrem conflitos religiosos no Oriente Médio, mas quando os ataques acontecem em nosso próprio quintal, ocorre um silêncio quase absoluto”, denúncia.

A sindicalista e ativista do movimento negro vê uma mudança no escopo dos ataques. “Agora, em nome de Jesus, traficantes de comunidades na Baixada Fluminense estão expulsando, agredindo e ameaçando de morte vários adeptos do candomblé”.

“Vivemos a marca do retrocesso desde o golpe de Estado contra a democracia em 2016”, afirma. “O aviltamento do sagrado, o desrespeito às pessoas e aos direitos individuais e coletivos, estão machucando e matando a nossa civilização”.

De acordo com Custódio cresce o fanatismo religioso, principalmente por parte de igrejas neopentecostais, que “pensam ser donas do mundo e da verdade e, por isso, se acham no direito de submeter a todos e todas. Respeito é a palavra de ordem”.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: O Dia

 

Extraído do portal da CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
http://portalctb.org.br/site/component/tags/tag/10-caminhada-em-defesa-da-liberdade-religiosa

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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