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Batuqueiros, Macumbeiros, Lesse Orisà ou Orìsaístas?

Muito se ouve falar nestas três expressões citadas a cima no titulo do texto, denominações utilizadas em diversos grupos étnicos e de diferentes cultuadores religiosos.

Que fique registrado que o culto ao Orìsà praticado em qualquer parte do mundo, independentemente do nome regional adotado, respeita, mas não reconhece a Bíblia, como uma de suas diretrizes sagradas, tampouco o Alcorão ou a Torá. Para nós cultuadores dos Orìsà tratam-se apenas de livros religiosos, assim como tantos outros.

Foto: Pai Adriano T' Ogun Adjolá
Foto: Cassio – Cortesia Jornal Grande Axé

As formas deturpadas, aculturadas e sincréticas que impuseram e continuam a se impor à religião yorùbá, nos dias de hoje, foram e ainda o são, os maus frutos decorrentes do processo da escravatura nas Américas, e das colonizações europeias impostas aos povos africanos. Conceitos cristãos como os de alma, céu, inferno e purgatório, encontraram terreno fértil para se propagar nas já contaminadas tradições yorùbá e suas descendentes, seja por missionários, seja por agentes governamentais e seja por autores pertencentes a outras culturas e/ou crenças que registraram as tradições, os costumes e a religião dos yorùbá. Os registros decorrentes dessas interpretações criaram “falsas” tradições, que se tornaram “verdades literárias inquestionáveis” e vitimam a religião yorùbá até hoje.

Todos nós, independente da forma de cultuação somos Orìsaítas, e é errado dizermos que somos africanistas, ora como seremos cultuadores de um Continente?

Impossível, cultuamos e fundamentamos os Orìsá de acordo de sua proveniência, ou seja, do seu local de Origem.

Nós aqui no Sul do Brasil, mais especificamente no Estado do Rio Grande do Sul, não somos diferentes, cultuamos os Orìsá de acordo com seu local de origem no continente Africano, sendo assim nossa Nação é chamada de Nagô-Afrosul e por esta nação temos varias vertentes de cultuação que são elas: Djejê, Ijexá, Oyó e Cabinda.

Igualmente, ainda que existam aqui estas vertentes, pela quantidade de cultuadores que aqui obtemos e pelo conhecimento de Babás e Iyás, por ora serem de uma vertente, ora de outra, acabou que miscigenamos as mesmas, não mais existindo vertentes puras e acabamos indo pela teoria de que o certo é o que da certo.

Assim sendo, independente da denominação a nós destinada, somos um só, somos cultuadores dos Orìsá, lembrando sempre que este não era um Deus, e sim o espírito divinizado de um ser humano que trouxe bem feitorias para aldeia/grupo que participava, mas isto ficará para um próximo momento.

Um bom Asé!

 

Pai Adriano T' Ogun Adjolá
Pai Adriano T’ Ogun Adjolá

Sou Pai Adriano T’ Ogun Adjolá, Cultuador da Nação Nagô-Afrosul pela vertente de Cabinda, em Porto Alegre/Rio Grande do Sul, 10 anos religiosos cultuando os Orìsá.

 

Telefone de Contato: (51) 9339-3868 – (51) 8574-4305

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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