Breaking News

A ANMA repudia nota publicada no tablóide Meia Hora

A ANMA em defesa da manutenção da tradição da religiosidade afro-brasileira enviou à Redação do Jornal Meia Hora, tablóide que circula na cidade do Rio de Janeiro, correspondência onde repudia o uso da expressão Pai – de – santo a um acusado de extorsão na cidade de Petrópolis – RJ. Segue a íntegra da manifestação da ANMA ao veículo e a reprodução da reportagem publicada no Jornal Meia Hora, em 07 de setembro último.

 

Ao

JORNAL MEIA HORA

Prezados Senhores,

Em relação matéria veiculada na edição de capa e na página 04 deste Jornal no dia 07/9/13, cumpre-nos esclarecer e solicitar:

1 – independentemente do que for constatado nas investigações relativas ao suposto crime de extorsão, o Sr. Carlos Roberto Ribeiro da Conceição Sobrinho, mencionado na matéria como “Pai Carlos de Oxóssi”, não é reconhecido por esta Associação Nacional de Mídia Afro como Sacerdote de nenhuma Religião de Matrizes Africanas. Em razão disto, é inadequado intitulá-lo, referi-lo, ou mencioná-lo com a utilização das nomenclaturas próprias dos Credos Afro, tais como “Pai de Santo”, “Babalorixá”, “Comandante de Terreiro”, “Sacerdote”, ou “Baba”. Por via de consequência, também não é correto referir-se ao local onde o aludido Sr. Carlos Roberto Ribeiro da Conceição atua (ou atuava), como “Terreiro”, “Barracão”, “Ilê”, “Roça de Santo”, “Casa de Santo”, ou “Candomblé”.

2 – a imagem utilizada na capa do jornal para ilustrar a dita matéria, retrata em destaque o Exu Tranca Ruas das Almas, além de Pombo-Giras, Entidades reverenciadas largamente nas Casas de Umbanda, as quais nada têm em relação com o episódio. Portanto, a associação das imagens das referidas Entidades ao relato de um suposto crime, além de inapropriada, é fomentadora de preconceito e intolerância, gerando danos às Religiões de Matrizes Africanas e à sociedade como um todo.

Em razão disto solicitamos sejam atendidos nossos apelos acima descritos, com o desiderato de evitar máculas às Religiões de Matrizes Africanas.

Por oportuno, desde já esta Associação se coloca inteiramente à disposição do JORNAL MEIA HORA para quaisquer esclarecimentos adicionais.

Atenciosamente.

Márcio de Jagun – Presidente

 

EM PETRÓPOLIS

Empresária acusa pai de santo de extorsão

 

Civil apreendeu dinheiro, cheques e notas promissórias no terreiro

Policiais da 105ª DP (Petrópolis) apreenderam ontem, no terreiro do pai de santo Carlos Roberto Ribeiro da Conceição Sobrinho, o Carlos de Oxóssi, de 41 anos, R$ 1,2 milhão em cheques e notas promissórias assinados por uma empresária.

O religioso, que foi detido e liberado no início da manhã, é acusado de extorquir dinheiro da mulher, alegando que precisava desfazer vários ‘trabalhos’ que tinham sido feitos contra ela e o marido. A suposta vítima o procurou em 2010 em busca de ajuda espiritual para conseguir engravidar.

Os investigadores da 105ª DP cumpriram no terreiro, que fica no bairro Mosela, em Petrópolis, mandado de busca e apreensão expedido pela 1ª Vara Criminal. Além dos cheques e das promissórias, foram apreendidos R$ 40.980 em espécie, três motos esportivas de alta cilindrada, documentos e cartões de crédito em nome de outras pessoas,

De acordo com a polícia, a empresária registrou a queixa dizendo ser vítima de extorsão praticada pelo Pai Carlos de Oxóssi há um mês. Em depoimento, ela contou que começou o trabalho para engravidar em 2010 e conseguiu ser mãe de gêmeos. No entanto, após o nascimento das crianças, segundo o seu depoimento, começaram as ameaças.

“A vítima conta que o pai de santo ligava pedindo valores astronômicos pelas consultas e dizia que, caso ela não pagasse, poderia ser feito ‘trabalho’ no terreiro onde ela e os familiares seriam alvos de pessoas armadas e poderiam morrer”, disse o delegado assistente da 105ª DP, Fabrício de Oliveira Pereira, que ainda estuda se vai pedir à Justiça a prisão preventiva do religioso. “Vou ouvir mais pessoas, além de familiares da empresária, e posso pedir a preventiva do pai de santo”.

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *