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A escrava Isaura na Broadway

20/06/2015 às 14h08

Estadão Conteúdo
Ubiratan Brasil

 

O romance A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, publicado em 1875, até hoje frutifica dividendos. Depois de inspirar duas telenovelas de sucesso (pela Globo, em 1976, e Record, em 2004), versões que, juntas, foram vendidas para mais de 140 países, a história da escrava branca que busca sua libertação agora interessa à Broadway – previsto para estrear em São Paulo no primeiro semestre de 2016, A Escrava Isaura – O Musical passaria pelos palcos de Buenos Aires, Cidade do México e Londres até chegar em Nova York, em 2020.

“A história é ideal por vários motivos”, avalia o americano Daniel Bort, que divide a produção com o brasileiro Marllos Silva.

“A história foi escrita no século 19, no auge do período romântico. Outros musicais de sucesso, como o Fantasma da Ópera, Les Mis e Dr. Jekyll e Mr. Hyde compartilham das mesmas qualidades que Isaura: exaltam os ideais por meio de personagens prontos a sacrificar tudo por aquilo em que acreditam. Esse é um material maduro, propício para a exuberância de um musical. Adicione os tambores e as cadências afro-brasileiros à mistura e temos uma combinação irresistível.”

O regente e compositor brasileiro Carlos Bauzys (em cartaz com O Homem de La Mancha) foi escolhido para criar as 23 canções do espetáculo, cujo roteiro vem sendo escrito por Bort e o também americano Shawn Northrip.

“A trilha será baseada, essencialmente, em três frentes de estilos musicais”, explica Bauzys.

Primeiro, ritmos afro-brasileiros, como samba, maracatu, coco, ijexá, maxixe, maculelê. “Esses ritmos, por sua vez, serviram de influência (e ainda servem) para diversos estilos que apareceram posteriormente, que, misturados com influências estrangeiras, originaram, por exemplo, a modinha, depois o chorinho e depois a própria MPB, que seria o segundo estilo.”

E o terceiro é aquele encontrado em musicais da Broadway e do West End londrino. “É preciso lembrar que falamos também de sentimentos e conflitos humanos no drama de Isaura. Então, esses estilos musicais extras entram justamente quando são os que melhor se encaixam para representar tais sentimentos, conflitos ou situações. Sendo assim, muito será utilizado de rock, música erudita, jazz, de acordo com o que se pretende exprimir com cada música”, diz Bauzys.

“Nosso objetivo é conceber um musical com raízes brasileiras”, comenta Marllos Silva. “O texto poderia ser adaptado para qualquer localidade, já a música possui raízes mais profundas, pois tem o poder de alcançar um lugar que a palavra falada não tem e, por isso, a importância de se ter um compositor brasileiro, e mais ainda, um que possua um trabalho de pesquisa dentro dos ritmos brasileiros e afro-brasileiros.”

Segundo ele, a produção nacional é a prioridade, pois será a matriz do projeto. “A partir desta montagem, vamos dar continuidade às outras, que provavelmente serão produções com atores locais. A previsão é que as audições para a estreia no Brasil aconteçam no fim deste ano.”

“Já temos ótimas obras originais sendo feitas aqui, mas nenhuma delas ainda teve a chance de ser feita com toda infraestrutura e grandiosidade equivalente a de uma franquia ou remontagem de um musical Broadway, ou ainda mais recentemente, dos musicais biográficos”, completa Bauzys.

O crescente interesse do público brasileiro por musicais pode incentivar a produção nacional, acredita Marllos. “Nos últimos três anos, tivemos em São Paulo 54 produções, sendo 33 de musicais brasileiros e apenas 7 com músicas originais, e nenhuma de grande porte. Sempre ouço comentários de que não há compositores para musical, o que é mentira. O que não há é oportunidade para que os compositores mostrem seus trabalhos.”

A Escrava Isaura será dirigido por Jeff Whiting e os figurinos serão de Fause Haten.

 

Extraído do site ClicFolha
http://www.clicfolha.com.br/noticia/47250/a-escrava-isaura-na-broadway

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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