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A festa de Iemanjá em tempos de sustentabilidade

No dia 2 de fevereiro milhares de fiéis se reunem para festejar Iemanjá, estimulando a reflexão entre tradição religiosa e preservação ambiental.

Publicado: 1 fevereiro 2017
MANU MAGALHÃES

 

 

 

Homenagem a Iemanjá, Rio Vermelho – BA. Foto: Manu Magalhães.

Iemanjá é um dos orixás mais famosos do sincretismo religioso brasileiro. Considerada a padroeira dos pescadores, o culto em sua homenagem é um dos maiores do candomblé, sendo celebrado no segundo dia de fevereiro. Em Salvador, esta celebração alcança o seu ápice, aglomerando milhares de pessoas nas praias do bairro do Rio Vermelho.

Entretanto, a festa que antes era uma pequena celebração, tornou-se um evento de grandes proporções, adquirindo uma amplitude que muito ultrapassa a questão religiosa. Embora os festejos a Iemanjá seja uma das mais tradicionais e populares celebrações da religiosidade afro descendente, traz em voga a polêmica temática ambiental.

Justamente o orixá responsável por velar pelos mares e oceanos, é o que mais polui e compromete a vida marinha durante os dias de sua celebração.

A festa de Iemanjá

Regada a muitos louvores e oferendas, anualmente, milhares de fiéis trajados de branco vêm deixar presentes à rainha do mar e aproveitar para agradecer e pedir proteção. Shows também movimentam os festejos, fazendo jus ao famoso jargão do espírito sagrado e profano, típico da Bahia.

Organizada originalmente pelos pescadores da Colônia de Pesca Z1 do Rio Vermelho, a celebração acontece desde o ano de 1974. Ali, milhares de pessoas se reúnem à beira-mar para oferecer seus presentes à Iemanjá e assistir à saída das embarcações, fazendo com que esta seja uma das mais belas festas populares do mundo.

As oferendas e a questão ambiental

Segundo dados do Projeto TAMAR, são jogados nos mares e oceanos cerca de 6.4 milhões de toneladas de lixo por ano. Atualmente, milhares e milhares de resíduos de lixo plástico estão flutuando nos oceanos, servindo como alimento mortal para os animais. Além de todas as consequências geradas por esses detritos à vida marinha, vale ressaltar que a poluição das praias também afeta a seres humanos, pois, aumentam o risco de doenças para os seus frequentadores e tornam-se impróprias para o banho.

Durante a festa de Iemanjá, os presentes oferecidos à Orixá, convertem-se em um grave problema ambiental. Quem passa pela região no dia seguinte aos festejos, se assusta com a quantidade de lixo acumulado à beira-mar. Entre as oferendas se encontram um grande número de quinquilharias tais como vidros de perfume, espelhos, maquiagem e outros itens destinados a satisfazer a vaidade da Mãe d´água. Estes detritos são poluentes e agentes de incontáveis desordens ambientais, já que o que não fica no mar é despojado sobre as areias, formando um grande lixão nas praias do entorno e comprometendo seriamente a qualidade da vida marinha.

A grande polêmica centra-se em conseguir manter a tradição sem agredir o meio ambiente. A solução encontrada há alguns anos foi assumida especialmente pelos pescadores locais, no qual deve ser evitado como oferenda todo plástico ou material não biodegradável ou não-poluente. No ano de 2016 foi criada a campanha “Presente do bem”, onde os membros da Colônia de Pescadores do Rio Vermelho passa a estimular a doação de presentes ecologicamente sustentáveis.

Mãe Stella de Oxóssi, a ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá e um dos maiores ícones da expressão religiosa afro brasileira, endossa a importância do cuidado com a natureza, passando a orientar os fiéis do candomblé a oferecer a Iemanjá apenas singelos cânticos, privando o mar da difícil tarefa de depurar os detritos gerados durante os ritos.

Outras campanhas de conscientização também vêm sendo realizadas pelo governo e comunidade local para que somente presentes ecológicos sejam lançados ao mar, evitando a poluição sem ferir a tradição.

Espera-se que em #2017 a redução seja ainda mais significativa, levando-se em conta a necessária manutenção e a preservação da fauna e da flora marinha. #Sustentabilidade

 

Extraído do site de notícias Blasting News
http://br.blastingnews.com/ambiente/2017/02/a-festa-de-iemanja-em-tempos-de-sustentabilidade-001438497.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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