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A Força de Àfònjá e o Axé de Éden

 

16/11 – 04:08

   Segundo os mitos yorubás, Àfònjá foi um líder guerreiro da região de Ìlorin, na Nigéria.

Segundo os mitos yorubás, Àfònjá foi um líder guerreiro da região de Ìlorin, na Nigéria.

Aqui no Brasil, Àfònjá foi exaltado como patrono do Terreiro de Candomblé: Ilé Àse Òpó Àfònjá de Salvador, na Bahia. Esse Terreiro foi fundado por Eugênia Anna dos Santos em 1910. Mãe Aninha era conhecida como Oba Biyi. Ela nasceu em 1869, foi iniciada para Sàngó aos 17 anos e era filha de africanos da etnia Grunci.

Em 1886, Mãe Aninha veio para o Rio de Janeiro com Rodolpho Martins de Andrade ou Bamgbose Òbítíkò residir na Região Portuária do Rio, onde já existiam vários Terreiros de Candomblé. Dentre esses Terreiros, o do Sr. João Alabá de Omolu se destacava por reunir além de africanos e descendentes de várias etnias, também políticos e intelectuais da época.

E foi na Região Portuária, mais precisamente no bairro da Saúde, que Mãe Aninha organizou um Terreiro que seria o embrião do Àse Òpó Àfònjá do Rio de Janeiro, que após foi transferido para Coelho da Rocha, na Baixada Fluminense.

No Àse Òpó Àfònjá de Salvador, Mãe Aninha iniciou muitas pessoas que tornariam–se importantes para a história do Terreiro, dentre elas Ondina Valéria Pimentel conhecida como Mãezinha de Òsàlá. Mãezinha assumiu a direção do Àse Òpó Àfònjá de Salvador, no ano de 1964, tornando-se a quarta Ìyálórìsà do Àse.

Mãe Odina também abriu um Terreiro de Candomblé, no Rio de Janeiro, no bairro do Éden, Município de São João de Meriti. Esse Terreiro recebeu o nome de Abá Ylê Cruz do Divino Axé Opô Afonjá que, devido a sua localização, ficou também conhecido como Òpó Àfònjá de Éden. O Axé de Éden foi frequentado por filhos ilustres que vinham do Òpó Àfònjá de Salvador à procura de Mãezinha.

Após as festas e impôrções no Axé de Salvador, Mãezinha sempre retornava ao Rio de Janeiro para realizar os festejos do Axé de Éden, e vinha acompanhada de suas irmãs e irmãos, como Tia Pinguinho, Obá Kankanfo, Tia Noêmia de Òsàgiyán, Senhorazinha de Òsun, Tia Jovem, Mocinha, Regina de Obalúwáiyé, Honorina de Òsányìn, José Olòsèdé, Moacir de Ògún, Aída de Oyá, Carmem de Oyá e Mestre Didi. Lembrando também do ilustre Bàbálórìsà Balbino Daniel de Paula-Obàràyín, cujos primeiros passos como Sacerdote foram no Àfònjá de Éden, com Mãezinha, com quem concluiu suas impôrções de Òrìsà.

Muitos filhos, que hoje se encontram em Salvador, foram iniciados no Axé de Éden, onde Mãezinha dizia: “que tanto no Rio como em Salvador, a mãe era a mesma”. Dentre os muitos filhos iniciados por ela, vale lembrar da saudosa Detinha de Sàngó e sua filha, Eurides de Oyá.

Quando estava do Rio, Mãezinha mantinha um relacionamento fraternal com Mãe Cantú de Aira Tola, Ìyálórìsà do Òpó Àfònjá de Coelho da Rocha. Ambas foram iniciadas no Àse Òpó Àfònjá de Salvador, por Mãe Aninha, portanto eram irmãs de àse.

Elas conviviam como uma grande família e conduziam seus ritos com ética. Naquele tempo não se fazia uma festa ou impôrção, em uma das duas Casas, sem que não houvesse a presença das duas por questão de respeito e ancestralidade.

Muitas festas foram realizadas por Mãezinha com a presença de muitas personalidades do Candomblé da época que frequentavam o Afonjá do Éden, como por exemplo: Davina de Obalúwáiyé, Aderman de Oyá, família Encarnação, os Gumbonos Jorge de Yemojá e Djalma de Lalu e o Bàbálórísà Delejan de Yánsàn.

Com o falecimento de Mãezinha, o Axé de Éden passou por um longo processo de sucessão até a posse de sua sobrinha carnal, Célia Pimentel, que foi iniciada por Mãezinha para Òsun. Mãe Célia de Òsun deixou a carreira de enfermeira e dedicou-se aos ensinamentos deixados por Mãezinha para manter as tradições religiosas do Axé de Éden.

Procurando divulgar a história do Axé de Éden e perpetuar o legado de Mãezinha e dos filhos que passaram por lá, foi criada uma Fan-page no Facebook. A página tem a editoria do jornalista e também filho do axé, Mingos Lobo, da escritora Cléo Martins- Agbeni de Sàngó e, de Rosana Pimentel, ambas do Òpó Àfònjá de Salvador.

O Axé de Éden localiza-se à Rua Nossa Senhora das Dores Andrade e Silva 346, bairro do Éden, São João de Meriti/RJ.

Fan-page:https://www.facebook.com/opoafonjaeden

Fontes: Clilton Paz e Mingos Lobo

Fonte: Extra/Globo

 

Extraído do site de notícias Boa Informação / Penedo – AL
https://boainformacao.com.br/2016/11/a-forca-de-afonja-e-o-axe-de-eden/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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