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A GRANDE RAINHA DE EFON

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Em uma das últimas levas legalizadas de escravos africanos ao Brasil, antes da aprovação da lei Eusébio de Queirós, vieram aqueles trazidos do reino de Ekiti Efon (na Nigéria). Entre eles a jovem princesa Adebolu e o babalawò conhecido como Babá Erufá Ti Osún Tadè.
Já em terras brasileiras, foram vendidos no mercado de Salvador, Bahia de Todos os Santos, adquirindo os nomes de Maria Bernarda da Paixão (Maria Violão) e José Firmino dos Santos (Tio Firmo).
Muito articulado e sacerdote de Ifá iniciado na África, Tio Firmo se fez conhecer por toda cidade de Salvador entre irmandades de negros e grupos abolicionistas. Após aproximadamente dez anos de cativeiro conseguiu sua alforria e de sua protegida, a princesa de Ekiti.
Uma vez libertos começaram a frequentar o Ilè Asé Opò Afonjá (Nação Ketu), mas a princesa havia sido feita na África para o orisá Oloroke e surgiu a necessidade de iniciar uma nova nação para que ela pudesse cumprir seus preceitos na tradição do distante reino. Sendo assim, por volta de 1860 é fundada a primeira casa de Nação Efon na atual Rua Antonio Costa (antiga travessa de Oloke) nº 12, no Engenho Velho de Brotas, Salvador, Bahia.
Após a “passagem” de Tio Firmo em 1905, a princesa e matriarca assume seu lugar como yalorisá da última nação de candomblé à ser criada no Brasil (Efon). E essa verdadeira rainha ocupa a cadeira da Casa de Oloroke até sua “passagem” em 1936.
Atualmente (2014) a casa matriz do Asé Oloroke encontra-se abandonada e em ruínas. Mas existe o Asé Pantanal, fundado por Cristovão Lopes dos Anjos (asogun da princesa em Salvador), em Duque de Caxias (RJ) que mantém a tradição da Nação Efon, assim como tantos outros Ilè Asés que surgiram para honrar a história desse Candomblé.

Assim vi e ouvi. Assim aprendi com meus mais velhos.
Awurè à tod@s!

Extraído da página no Facebook Candomblé Efon

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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