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A INTOLERÂNCIA NA CONTRAMÃO DA EDUCAÇÃO

 

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GILBERTO ALVAREZ15 DE JUNHO DE 2015 ÀS 16:07

Quem acompanhou a reunião de vereadores que deveria discutir o futuro da educação em São Paulo, na semana passada, assistiu a uma aula de intolerância e ignorância.

 

 

O fundamentalismo religioso obteve uma vitória, na semana passada, na batalha que se travou na Comissão de Finanças da Câmara de Vereadores de São Paulo. Quem acompanhou a reunião, que deveria discutir o futuro da educação na maior e mais populosa cidade brasileira, assistiu a uma aula de intolerância e ignorância. O encontro parlamentar, que debatia o Plano Municipal de Educação, tinha como objeto discutir verbas para o setor e custo por aluno na rede municipal. Mas acabou numa disputa polarizada entre os que defendem a diversidade e os que acreditam nos tais “valores da família tradicional”.

A resistência veio por conta de alguns trechos presentes no Plano Municipal de Educação apresentado pelo relator Paulo Fiorilo, que preveem mecanismos para denunciar casos de violência e discriminação por etnia, deficiência, religião e gênero. Ao final da discussão, a maioria dos vereadores aprovou a exclusão das expressões “gênero”, “orientação sexual” e “sexualidade” do documento original.

Afinal, qual modelo de educação escolar queremos para as crianças paulistanas? Há, de fato, motivo para que se germine esse sentimento de intolerância religiosa e de desrespeito à diversidade?

É bom que se diga que o texto consolidado pelo relator está de acordo com a carta aprovada das Cidades Educadoras de 1994, formalizada durante o III Congresso Internacional em Bolonha e da qual a cidade de São Paulo é signatária. Ela estabelece os seguintes princípios: trabalhar a escola como espaço comunitário; trabalhar a cidade como grande espaço educador; aprender na cidade, com a cidade com as pessoas; valorizar o aprendizado vivencial e priorizar a formação de valores.

Nosso maior desafio é transformar a Cidade de São Paulo, de fato, em uma Cidade Educadora. Um município que seja capaz de mediar seus conflitos, com respeito aos diferentes, tendo como instrumento uma norma capaz de enfrentar uma elite conservadora, absolutamente míope e sem projeto para a cidade e para o país.

A liberdade que conquistamos ao longo da história não pode ir contra a democracia! E o Plano Municipal de Educação deverá ter na sua essência o princípio do ensino laico, que respeite os Direitos Humanos e que fortaleça a democracia como o único REGIME que permite a convivência social, acolhendo a todos sem distinções de gênero, raça, credo ou opinião.

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Extraído do jornal digital Brasil 247
http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/184976/A-intoler%C3%A2ncia-na-contram%C3%A3o-da-educa%C3%A7%C3%A3o.htm

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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