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A origem de ÌyámìnÒsòrongá

Segunda, 25 de fevereiro de 2013

ÌyámìnÒsorongá é a síntese do poder feminino, claramente manifesto na possibilidade de gerar filhos e, em uma noção mais ampla de povoar o mundo. Quando os Iyorubás dizem “Nossas mães queridas” para se referirem às Ìyámìn, tentam, na verdade apaziguar os poderes terríveis dessa força.

Donas de um Asé tão poderoso quanto o de qualquer Òrísà, as Ìyámìn tiveram seu culto difundido por sociedade secretas de mulheres, são as grandes homenageadas do famoso festival Gueledè, na Nigéria, realizado entre os meses de março e maio, que antecedem as chuvas no país, remetendo imediatamente para um culto relacionado à fertilidade.

Poder procriador tornou-se conhecidas como às senhoras dos pássaros da noite e sua fama de grandes feiticeiras as associou à escuridão da noite. Por isso também são chamadas de Eleiyés e as corujas são seus maiores símbolos.

A sua relação mais evidente é com o poder genital feminino, que é o aspecto que mais aproxima a mulher da natureza, ou seja, dos acontecimentos que fogem à explicação e ao controle humano. Toda mulher é poderosa porque guarda um pouco da essência das Ìyámìn a capacidade de gerar filhos, expressa nos órgãos genitais femininos. Suas cantigas que são entoadas durante o festival Gueledè fazem alusão a esse terrível poder que não pertence apenas às Ìyámìn, mas sim a qualquer mulher.

As mães são compreendidas como a origem da humanidade e seu grande poder reside na decisão que tomar sobre a vida de seus filhos. É a mãe que decide se o filho deve ou não nascer e quando ele nascer, ainda decide se ele deve ou não viver. A mulher, especialmente nas sociedades antigas tinham inúmeros recursos para interromper uma gravidez. Até os primeiros anos de vida, uma criança depende totalmente de sua mãe, se faltar seus cuidados a criança não vinga. Em síntese, todo ser humano deve a vida a uma mulher, se todas as mulheres juntas decidissem não mais engravidar, a humanidade estaria totalmente fadada a desaparecer. Esse é o poder de Ìyámìn: Mostrar que todas as mulheres juntas decidem sobre o destino dos homens.

Ìyámìn é a sacralização da figura materna, por isso seu culto é envolvido por tantos tabus. Seu grande poder se deve ao fato de guardar o segredo da criação. Tudo que é redondo remete ao ventre e por consequência a Ìyámìn, por este motivo mulher não pode abrir uma cabaça, já que a cabaça no culto a Ìyámìn representa o ventre, Ìyámìn entenderia como se a mulher estivesse abrindo o ventre e tirando tudo que tem dentro. O Poder das grandes mães é expresso entre os Òrísàs do sexo feminino, em especial o poder de Ìyámìn está coligado direto ao culto de Òsún.

Toda mulher tem dentro de si uma Ìyámìn, toda mulher é feiticeira e vingativa. A mulher é regida por Ìyámìn no momento em que descobre uma traição do marido e faz um sortilégio para que seu marido volte para casa. Ìyámìn é aquela que protege a mulher que sai de manhã cedo para o trabalho, mostrando que não depende do homem para seu sustento, Ìyámìn é aquela que castiga a mulher que sofre apanhando do marido e não vai à delegacia denunciá-lo.   Nos rituais feitos para Ìyámìn é aconselhável que não tenham homens, com exceção dos Ogans que irão tocar o orò, caso tenham homens todos devem ficar de joelhos, mostrando que entendem que a força feminina é capaz de dominar o mundo.

About The Author

Sou Huntó Douglas D' Odé, nascido em 07 de maio de 1993, filho carnal de Ekedjí Cobrinha D' Bessen. Nascido para o mundo do Candomblé no dia 03 de fevereiro de 2007, sendo confirmado para o Òrísà Òsún. Fundador da produtora Q.A Produções & Representações, diretor responsável por tudo que é publicado no Espaço Cultural Apeja Omi Onjé Dìdún, produtor de vídeos, escritor afro, palestrante, colunista do Jornal Awùre, professor de danças afro e pesquisador dos cultos africanistas.

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