Breaking News

A pé, repórter do G1 segue cortejo da Lavagem do Bonfim na Bahia

G1 acompanhou trajeto da tradicional Lavagem do Bonfim, nesta quinta.
Caminhada de oito quilômetros foi marcada por religiosidade e diversão.

Danutta RodriguesDo G1 BA

12/01/2017 15h18 – Atualizado em 12/01/2017 16h08

 

 

Fiéis amarram fita do Senhor do Bonfim (Foto: Josemar Pereira/Ag Haack)
Fiéis amarram fita do Senhor do Bonfim (Foto: Josemar Pereira/Ag Haack)

A cada passo, um lugar histórico para contemplar. Com a Baía de Todos-os-Santos às margens de todo o trajeto da tradicional Lavagem do Bonfim, baianos e turistas se misturavam aos comerciantes e fiéis na porta da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no bairro do Comércio, em Salvador, nesta quinta-feira (12). Ao tocar o hino já conhecido de quem acompanha o cortejo sagrado e ao mesmo tempo profano, a minha caminhada começou. Eram 8h quando a imagem do Nosso Senhor do Bonfim puxou milhares de devotos pelas ruas da Cidade Baixa, em Salvador. [Confira a galeria de fotos da Lavagem do Bonfim]

Cortejo que saiu do bairro do Comércio chegou até a a Colina Sagrada pouco mais de 3h depois (Foto: Elias Dantas/Ag. Haack)
Cortejo que saiu do bairro do Comércio chegou
até a a Colina Sagrada pouco mais de 3h depois
(Foto: Elias Dantas/Ag. Haack)

De um lado, o Mercado Modelo, em frente a ele, o Elevador Lacerda. Pontos turísticos por onde o cortejo do Bonfim passa. Logo que iniciei a caminhada, sob forte mormaço típico do verão em Salvador, segui alguns grupos culturais e bandas de percussão. Foram oito quilômetros do percurso que foi do bairro do Comércio até a Colina Sagrada, no bairro do Bonfim. Pelo caminho, prédios históricos, avenidas e locais que marcam a trajetória da cidade desde sua descoberta.

Ao chegar na altura do Mercado do Peixe, a placa turística anunciava a distância de 4,5 km até o meu destino final. Diferentemente de anos anteriores, a característica sincrética não foi tão presente durante a festa desse ano. Algumas mulheres vestidas de baiana, mas que não eram do candomblé, recepcionavam turistas que pediam para tirar fotos. Houve também aqueles que queriam desfrutar da festa popular mais conhecida da Bahia. Com uma cerveja na mão e a fé na cabeça, turistas e soteropolitanos trajando branco curtiram o trajeto ao som dos batuques, pagode e até músicas do tempo da brilhantina.

 

Tradição é de que fiéis vistam branco para seguir no cortejo (Foto: Elias Dantas/Ag. Haack)
Tradição é de que fiéis vistam branco para seguir
no cortejo (Foto: Elias Dantas/Ag. Haack)

Teve de tudo no cortejo da Lavagem do Bonfim. De devotos com terços na mão e a imagem de Nosso Senhor do Bonfim estampada nas camisas, até pessoas vestidas de “caretas” para divertir e posar com quem estava seguindo a caminhada. Desde a venda de bebidas alcoólicas, até a tradicional feijoada, sarapatel, e o churrasco. A disputa de cheiros durante o percurso seguiu a disputa do som. Logo à frente, puxando o cortejo, fiéis católicos entoavam o hino ao Nosso Senhor do Bonfim. Ao passar pelo Memorial de Irmã Dulce, oração e palmas.

Entre grupos de corrida que aproveitaram para se exercitar durante o trajeto da caminhada, encontro Aruê. Nome de batismo: Adeilton de Jesus. Com muita simplicidade, ele pediu para que eu transmitisse uma mensagem de paz a todos e fez com que eu registrasse a passagem dele pela Lavagem do Bonfim. Pedido aceito e cumprido. Assim como ele, muitos fiéis pediam paz e mais tolerância. A faixa exibida pelo grupo Cortejo Afro, tradicional bloco de carnaval de Salvador, afirmava “Deus ama o povo do candomblé”.

E assim segui até a Colina Sagrada, templo de fé que reúne religiões distintas. Na porta da Igreja do Bonfim, as baianas já aguardavam a chegada da imagem do Nosso Senhor do Bonfim que, este ano, ficou em meio aos fiéis durante todo o cortejo. Reverência, devoção e respeito. Na subida da colina, representantes do candomblé davam banho de folha e não deixaram a característica sincrética com Oxalá se perder pelo caminho. O cheiro de alfazema já tomava conta da igreja, com a lavagem das baianas após a imagem do Nosso Senhor do Bonfim chegar ao adro da igreja. Eu fui, andei com fé e ela não há de falhar.

A Lavagem do Bonfim é uma preparação para a celebração em homenagem ao Senhor, que ocorre no domingo (Foto: Josemar Pereira/Ag Haack)
A Lavagem do Bonfim é uma preparação para a celebração em homenagem ao Senhor, que ocorre no domingo (Foto: Josemar Pereira/Ag Haack)
Grade que circunda a Igreja do Senhor do Bonfim recebeu novas fitinhas, além de chaveiros (Foto: Josemar Pereira/Ag Haack)
Grade que circunda a Igreja do Senhor do Bonfim recebeu novas fitinhas, além de chaveiros (Foto: Josemar Pereira/Ag Haack)
Baianas fazem oração em frente à Igreja do Senhor do Bonfim (Foto: Josemar Pereira/Ag Haack)
Baianas fazem oração em frente à Igreja do Senhor do Bonfim (Foto: Josemar Pereira/Ag Haack)
O banho de água de cheiro é tradição entre os devotos (Foto: Josemar Pereira/Ag Haack)
O banho de água de cheiro é tradição entre os devotos (Foto: Josemar Pereira/Ag Haack)

 

 

Extraído do portal de notícias G1 / Bahia
http://g1.globo.com/bahia/noticia/2017/01/pe-reporter-do-g1-segue-cortejo-da-lavagem-do-bonfim-na-bahia.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *