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A vigorosa influência de Òsàgiyán no domingo

Por: Pai Paulo de Oxalá em

oxaguidan

Conta um mito yorubá que o verdadeiro nome de Òsàgiyán era Akinjole. Akinjole era filho de Ogiriniyán e neto de Odùdúwà. Por ser o fundador de Èjigbò e por gostar muito de inhame, Akinjole era chamado, respectivamente, de Eléjìgbò e de Ògiyán.

Ògiyán tinha um amigo chamado Awoléjé que conhecia muitos Ebós. Com os seus conhecimentos Awoléjé ajudou Ògiyán a prosperar Èjigbò.

O tempo passou, Awoléjé ausentou-se de Èjigbò, mas um dia resolveu voltar e visitar o amigo. Só que Awoléjé não sabia que o prestígio de Ògiyán tinha crescido tanto, a ponto de todos na cidade o reverenciarem como Kábíyèsí (saudação usada somente para os reis yorubá). Quando Awoléjé dirigiu-se aos guardas do palácio de forma informal pedindo para falar com Ògiyán, os mesmos entenderam tal pedido como irreverência e prenderam Awoléjé no calabouço do palácio. Ressentido, Awoléjé utilizou seus conhecimentos e lançou uma maldição na cidade de Èjigbò, que passou a sofrer catástrofes.

Com a cidade em decadência, Ògiyán foi consultar um sacerdote que lhe disse a razão dos infortúnios. Ògiyán, então, mandou soltar Awoléjé imediatamente e pediu-lhe perdão. Awoléjé aceitou o pedido, mas impôs uma condição: que em todos os anos, durante a festa de Ògiyán, os habitantes de Èjigbò deveriam lutar entre si com golpes de Àtòrì.

Devido a esse mito yorubá é que na festa do 3º domingo das Águas de Òsàlá, denominada Ojó Odó (Dia do Pilão de Òsàgiyán), acontece a cerimônia do Àtòrì. O Àtòrì é uma vara feita de galho da árvore de mesmo nome, originária da África tropical. Aqui no Brasil esta árvore é chamada de guaxima. É durante a cerimônia do Àtòrì, que Òsàgiyán desculpa-se com Awoléjé, simulando golpes de varas nos habitantes de Èjigbò.

O ritual do Pilão de Òsàgiyán só pode ser feito num domingo, pois ele completa o ciclo das Águas de Òsàlá, que é realizada em 17 dias, com uma sequência de três domingos. Daí, Òsàgiyán ser denominado: “Ògbéni nã tání ojó olúwa ijóse!” (o Senhor do domingo!). Epà Bàbá!

Axé!

Extraído da coluna Religião & Fé, do Babalorixá Paulo de Oxalá, do Jornal Extra on line / Rio de Janeiro – RJ
http://extra.globo.com/noticias/religiao-e-fe/pai-paulo-de-oxala/a-vigorosa-influencia-de-osagiyan-no-domingo-19965701.html#ixzz4PhnUnOsU

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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