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Acervo de Lorenzo Dow Turner chega a Salvador

Lorena Morgana | Ter, 24/11/2015 às 07:23

 

 

Divulgação Coleção Lorenzo Dow Turner vai reunir diversas fotos
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Coleção Lorenzo Dow Turner vai reunir diversas fotos

Após ficar em São Paulo de abril a agosto deste ano, chega  a Salvador a exposição Gullah, Bahia, África. A abertura acontece nesta terça-feira, 24, às 19 horas, no Palacete das Artes, e permanece até 31 de janeiro de 2016.

O acervo reúne mais de 100 fotografias e cerca de 18 horas de registros musicais e linguísticos feitos com nomes de grande referência do candomblé.

A exposição documenta parte da pesquisa desenvolvida por Lorenzo Dow Turner, primeiro linguista afro-estadunidense. O evento contará com a curadoria de Alcione Meira Amos, além da presença do cônsul dos EUA no Rio de Janeiro, James Story.

Especialmente para a Bahia, foram incluídas 50 peças relativas a candomblé do Museu Afro da Ufba, fotos e áudio de Martiniano Eliseu do Bomfim, famoso babalaô baiano entrevistado por Turner na sua visita até aqui.  Esta parte da exposição contará com a co-curadoria de Murilo Ribeiro, diretor do Palacete das Artes.

Os Gullah

A pesquisa de Lorenzo Turner teve início quando ele descobriu, na década de 30, que negros da costa leste dos EUA (especificamente na Georgia e na Carolina do Sul) falavam um idioma híbrido, formado por trinta línguas africanas misturadas ao inglês.

À época, segundo Alcione Amos, Turner não sabia, mas, na verdade, estava lidando com uma língua crioula. “Ele viu dois estudantes falando esse idioma diferente e ficou curioso. Ao contrário de outros professores,  não achava que aquilo fosse um inglês mal-falado. Era uma língua distinta, com uma cadência diferenciada”, conta a curadora da exposição.

Os estudantes eram dos povos  Gullah, que falam a língua crioula de base inglesa com fortes influências da África Ocidental e Central na costa leste estadunidense.

África na Bahia

O que trouxe Turner ao Brasil e, especificamente, à Bahia, foi o fato de o país haver recebido mais africanos escravizados que os EUA. “Se para lá foram aproximadamente 650 mil, para cá, o número ultrapassou 4 milhões”, estima Alcione Amos.

O segundo fato é que muitas línguas africanas ainda eram faladas aqui na Bahia, nos terreiros de candomblé. “Ele ainda não sabia o motivo, mas sabia que havia essa sobrevivência das línguas e cultura africana no estado. Ao chegar aqui, ele acabou descobrindo a África na Bahia”, explica a curadora.

Programação Paralela

Na quarta-feira, 25, às 17 horas, no Palacete das Artes, haverá também a palestra A Coleção Fotográfica de Lorenzo Dow Turner: Gullah, Bahia, África, na qual Alcione Amos falará sobre a coleção fotográfica do Dr. Turner. A atividade é aberta ao público e não é necessário fazer inscrição.

 

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador – BA
http://atarde.uol.com.br/cultura/exposicao/noticias/1728683-acervo-de-lorenzo-dow-turner-chega-a-salvador-premium