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Acolhedora, Iyemanjá é a mãe de todos

Segundo babalorixá, a Iyemanjá é sincretizada e assimilada com a Nossa Senhora dos Navegantes, uma santa da Igreja Católica

por: Kethlin Meurer
Data: 02/02/2016 | 08:00

Iyemanjá é considerada o orixá feminino mais popular do Brasil, e uma das mais reverenciadas, e conhecida como mãe de vários orixás. Formosa e vaidosa, a deusa de cabelos longos e perfumados, gosta de receber flores, água de cheiro, pente e espelho. Hoje, o dia é dela e vale lembrar que em alguns lugares do Brasil, por exemplo, a data reúne milhares de pessoas.

Conforme o babalorixá Sandro de Oxalá, tanto na Umbanda, quanto na religião Nação, a Iyemanjá é um orixá. Ela é a deusa de todas as águas, sejam doces ou salgadas e mãe de todos.

No Brasil, o culto a ela é comum nas águas salgadas. Ele conta que a Iyemanjá é sincretizada e assimilada com a Nossa Senhora dos Navegantes, uma santa da Igreja Católica. Como os negros não podiam cultuar o orixá da forma que ele era, estes pegaram um santo da Igreja Católica com características semelhantes e, com isso, assimilavam este Deus com um africano. ‘Os negros escolheram a Nossa Senhora dos Navegantes para sincretizar com a Iyemanjá. Mas a Nossa Senhora dos Navegantes não é a Iyemanjá. A gente usa imagem da santa como um simbolismo da Iyemanjá, explica.

Ainda sobre a assimilação feita com a santa católica, o babalorixá explica que, na época da escravidão, os negros sofriam abuso e preconceito e, por isso, cada santo católico necessitava ser identificado com um orixá. ‘Quando os donos de fazenda achavam que os escravos estavam dançando em frente às imagens católicas, na verdade dançavam para os orixás. Eles autorizavam, porque acreditavam que se tratavam de santos católicos’, complementa.

IMPORTÂNCIA
De acordo com o babalorixá, um Deus africano não tem forma definida, mas a Iyemanjá, na forma original, seria negra, em função da região da África. Ele explica que hoje é o dia de Nossa Senhora dos Navegantes, mas foi adotado como o dia de Iyemanjá devido ao sincretismo. Em todo o Brasil, tanto na religião da Nação, quanto Umbanda, a Iyemanjá tomou grande força, por ser a mãe de todos os orixás. ‘A Iyemanjá tem o poder da maior parte de que é constituída a Terra, que é a água. Ela que traz o alimento, os peixes e dá a vida à Terra, além de ser a mãe que acolhe todos os filhos’, comenta.

Filhos (as) de Iyemanjá
No culto africano, que, no Rio Grande do Sul, recebeu o nome de Batuque ou Nação, se consegue identificar o orixá da pessoa através do jogo de búzios. ‘É através dele que é possível identificar o orixá que é dono da cabeça de cada um. Nós cultuamos em torno de 16 a 20 orixás’, conta.

Já na Umbanda, se identifica se a pessoa é filha de Iyemanjá ou não através da consulta com a entidade chefe do terreiro. ‘Na Umbanda, nós não podemos dizer que a Iyemanjá é um orixá, mas sim, uma entidade. É uma energia que emana do mar’, explica.
Não apenas ela, mas diversos outros orixás e entidades são descobertos da mesma forma em ambas as religiões. Em alguns casos, na Umbanda, a própria entidade se manifesta durante a sessão e conta à pessoa qual o orixá, mesmo que ela, até então, não teve contato com a religião.

Dentro do culto africano existem algumas qualidades de Iyemanjá. No geral, todos os filhos de Iyemanjá são temperamentais, até porque as ondas do mar também se alteram com frequência. Além disso, eles também costumam ser mais ansiosos, agitados, teimosos e vingativos, mas também possuem uma energia e uma beleza que já é soberana, pelo fato de Iyemanjá ser a Rainha do Mar. Quanto à parte positiva, o babalorixá ressalta que os filhos são dóceis, meigos, caridosos, amigos e acolhem todas as pessoas. Por sua vez, as características que de fato terão destaque em cada pessoa, depende da personalidade e caráter dela.

 

Foto: Rui Borgmann / AI PrefeituraProcissão pelas ruas de Mariante marcou homenagens à padroeira da comunidade, no domingo, 31
Foto: Rui Borgmann / AI PrefeituraProcissão pelas ruas de Mariante marcou homenagens à padroeira da comunidade, no domingo, 31

 

Fé e devoção em Vila Mariante

A chuva não foi empecilho para os fiéis em Vila Mariante, que participaram da procissão terrestre pela Avenida Beira-Rio, no domingo, 31. A imagem de Nossa Senhora dos Navegantes foi carregada pelos fieis num andor da igreja até a rampa de acesso ao rio em frente ao santuário.

Após alguns cânticos e releituras bíblicas, os fiéis caminharam pela Rua Augusto Fernando Schneider, Rua dos Marinheiros, seguindo até a Rua João de Oliveira Santafé e por fim até a Igreja Católica de Vila Mariante, onde a santa foi devolvida.
‘Sempre procuro acompanhar a procissão e pedir proteção à minha família’, ressalta Terezinha Jussara da Silva, moradora de 69 anos e nascida em Vila Mariante.

Depois da caminhada, a programação seguiu com missa na igreja, após almoço e reunião dançante no salão da comunidade católica. Por parte do poder público, o prefeito Airton Artus, o presidente da Câmara de Vereadores, José Melchior (Zecão), secretários e servidores prestigiaram uma das festas mais tradicionais da região.

Extraído do jornal Folha do Mate / Venâncio Aires – RS
http://www.folhadomate.com/noticias/geral15/acolhedora-iemanja-e-a-mae-de-todos

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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