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Adeptos de crenças afros marcam protesto

Estima-se que em Cuiabá e Várzea Grande existam mais de mil terreiros de umbanda, candomblé e outras crenças em atividade
ALECY ALVES
Da Reportagem

Religião afro: adeptos se dizem discriminados e organizam encontro para protestar
Religião afro: adeptos se dizem discriminados e organizam encontro para protestar

Nesta quarta-feira, a partir das 19hs, a Praça da Mandioca, no centro de Cuiabá, se transformará em um templo livre dos povos de terreiros. Estima-se que em Cuiabá e Várzea Grande existam mais de mil terreiros em atividade.

Entretanto, essa é a primeira vez em Mato Grosso, líderes e adeptos de crenças afros como umbanda, candomblé, quimbanda, entre outras, vão às ruas pedir respeito ao direito de liberdade de expressão da fé e contra a intolerância religiosa.

O 1º Encontro contra Intolerância Religiosa deverá reunir centenas de representantes de terreiros de diversos municípios, especialmente de Cuiabá e Várzea Grande.

“Queremos um basta, um basta na intolerância, na falta de respeito, nos atos de discriminação e até de violência física praticados contra nossos povos”, desabafa a Yalorisá Márcia de Onyra.

Líder de um terreiro em Cuiabá, Márcia se diz cansada de perseguições contra quem pratica, filhos dos praticantes e os deuses que cultuam. “Invadem e destroem nossos templos, agridem nossos filhos”, denuncia.

O filho dela, por diversas vezes, recorda, foi hostilizado na escola por colegas e os próprios professores. “Era apontado como o filho da feiticeira, da macumbeira, comportamento que estimula o preconceito e a violência”, reclama.

Nas igrejas evangélicas, destaca, os pastores difamam os orixás, fazem sessões nas quais dizem que incorporam deuses, por exemplo, supostamente para livrar fiéis de maus espíritos, da pomba-gira, por exemplo. “Nossos Deuses não são responsáveis pelo mal que atormenta, são para auxiliá-las”, garante.

Márcia diz que por causa do preconceito e das perseguições, jovens que praticam ou são de famílias de religiões afros estão se sentindo segregados. Estão com medo de ir à escola, de ingressar na faculdade ou mesmo de assumir a religião entre os colegas de trabalho e em outros ambientes que frequentam.

O encontro de hoje é o início de uma série de eventos públicos organizados pelo movimento “Afoxé Ela Ola”, Além desse primeiro já estão agendados outros dois, nos dias 5 de agosto e 9 de setembro, ambos na Praça da Mandioca.

Os seguidores dessas religiões vão levar às praças e outros ambientes públicos os cantos e danças dos cultos até então restritos aos terreiros escondidos em sítios, quintais das residências de seus líderes e em bairros da periferia.

ESTOPIM – A agressão sofrida por uma menina de 11 anos quando voltava de um culto de candomblé, no Rio de Janeiro, mês passado, está desencadeando em todo o país movimentos similares aos organizados em Cuiabá. A garota foi atingida na cabeça por uma pedra atirada por um grupo de evangélicos que estavam em um ônibus. Ela chegou a desmaiar.

Quem pratica, induz ou incita a discriminação ou preconceito religioso pode ser enquadrado no artigo 20 da lei 7.716, ficando sujeito ao pagamento de multa e/ou pena de reclusão de um a três anos.

 

Extraído do site do Jornal Diário de Cuiabá / Cuiabá – MT
http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=474550

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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