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Advogada diz ter sido alvo de intolerância religiosa no trabalho e grava áudios com chefe: ‘macumba não dura para sempre’

Funcionária de empresa de telefonia em Salvador conta que foi demitida após desenvolver depressão, depois de assédio moral.

 

 

Por BATV

04/07/2017 21h48  Atualizado 04/07/2017 21h48

Funcionária de empresa de telefonia denuncia caso de intolerância religiosa

Uma advogada diz ter sido discriminada e que sofrido assédio moral pela chefe, por ser adepta da umbanda, religião de matriz africana, na empresa de telefonia em que trabalhava, em Salvador. Ela diz que foi demitida após entrar em depressão e processou a empresa após gravar áudios com a suspeita. Esse é um dos 36 casos de intolerância religiosa registrados pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) desde janeiro de 2017.

A mulher não quis se identificar, mas contou que por um ano e meio foi discriminada no trabalho. As agressões, segundo ela, começaram desde que uma chefe assumiu o cargo e só terminaram quando ela foi demitida.

“Umas vezes eu pedia para… sexta-feira, a gente tem a possibilidade de usar banco de horas para sair uma hora mais cedo. Ai, ela me perguntava: ‘Você vai bater tambor?’. E aí eu percebi que tinha um caráter preconceituoso nisso”, destacou, em entrevista à TV Bahia.

A funcionária é umbandista há cinco anos e diz que, quando percebeu que a religião era o motivo do assédio, decidiu gravar áudios de conversas com a chefe para embasar a denúncia. Em uma das conversas, a advogada diz: “Jure pela sua mãe que você não falou que macumba não dura para sempre, que você estava se aliando a uma pessoa errada. Jure!”. A chefe responde: “Eu falei. Eu juro que isso aconteceu!”.

Com o tempo, segundo a advogada, veio a depressão, e ela desenvolveu a Síndrome de Burnout, relacionada ao esgotamento psicológico. Ela disse que quando estava em meio ao tratamento para tentar se recuperar, acabou sendo demitida da empresa e, então, decidiu mover o processo.

A empresa que é alvo da denúncia da funcionária é a Vivo. Por meio de nota, a assessoria disse que a empresa não comenta processos em andamento. A assessoria destacou, ainda, que a empresa segue uma política de respeito a todas as religiões.

Casos

Em 2016, o Ministério Público registrou 65 casos de intolerância religiosa. Em 2017, desde o início do ano, já são 36 casos. “Esse tipo de atitude vai desde uma ofensa verbal até mesmo tentativa de homicídio. Há casos graves de tentativas de homicídios, de lesão corporal, de invasão de domicílio, tudo motivado pelo ódio religioso”, destaca a promotora do MP.

A Umbanda é uma religião brasileira, criada há mais de 100 anos, e prega a manifestação do espírito pela prática da caridade. A religião absorveu cultos de várias outras religiões, como os santos do catolicismo, as ervas e chás dos indígenas e os orixás, do candomblé. Por conta disso, muita gente confunde a umbanda com outras religiões.

Em Salvador, um centro umbandista que fica no bairro de Piatã foi alvo de intolerância esse ano. Em fevereiro, durante uma festa, os umbandistas contam que um vizinho atirou rojões e atingiram algumas pessoas que estavam no local.

“Respeitamos todas as religiões, participamos de missas na igreja católica nos dias de determinados santos que nós cultuamos aqui também. É uma tristeza a gente ver hoje uma pessoa ser discriminada por ser umbandista, ou candomblecista ou o que for”, destaca do sacerdote Raimundo Rosário.

 

Extraído do portal G1 / Bahia
http://g1.globo.com/bahia/noticia/advogada-diz-ter-sido-alvo-de-intolerancia-religiosa-no-trabalho-e-grava-audios-com-chefe-macumba-nao-dura-para-sempre.ghtml

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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