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Advogado é ameaçado por mensagens de ódio coladas em postes em Blumenau

26/09/2017- 14h32min

  –  Atualizada em 26/09/2017- 19h52min

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JORNAL DE SANTA CATARINA

 

Tinha tudo para ser uma segunda-feira comum na vida do advogado Marco Antonio André, morador de Blumenau. Mas logo pela manhã ele se deparou com um cartaz colado na porta de casa e outro em um poste da rua onde mora, no bairro Ponta Aguda. Os cartazes, com símbolos de um grupo supremacista americano, faziam uma ameaça por ele ser negro e praticante do candomblé.

— Um amigo meu foi o primeiro a ver, passando pela rua da minha casa, e me mandou mensagem mostrando. Depois o pai de um cliente da minha esposa, que é psicopedagoga, a alertou que o mesmo cartaz estava colado na nossa casa. Sou negro, praticante do candomblé e da umbanda e sempre milito a favor da diversidade. Foi assustador ser vítima de tanto ódio— explica o advogado.

Diante da situação, Marco Antonio publicou um desabafo nas redes sociais, que viralizou na segunda-feira e nesta terça-feira pela manhã já contava com mais de 1,4 mil compartilhamentos.

— Estamos preocupados pelo ataque e pela repercussão que o caso teve. Recebi ligações de apoio, tenho parentes que moram na Europa com medo da gente aqui, fora as muitas mensagens de indignação pelo fato e vou tomar todas as providências legais cabíveis. Sei, como advogado, que este cartaz configura três crimes: racismo, crime de ódio e ameaça. — diz Marco Antônio.

Procurado pela reportagem, o delegado Egídio Ferrari, da DIC de Blumenau, contou que é amigo de Marco Antônio e que falou com ele sobre o caso na segunda-feira. Ele foi orientado a registrar ocorrência — atitude que o profissional deve tomar ainda nesta terça-feira. Assim que o B.O. for registrado, a Polícia Civil deve começar a investigar o caso.

Em nota, a diretoria da OAB em Santa Catarina diz que “aqui há reflexos da verdadeira marcha da insensatez que vemos em outras partes com o surgimento de movimentos xenófobos e extremistas, as seguidas manifestações de intolerância, os casos de violência, racismo, sexismo e perseguição de minorias. Também aqui esses são movimentos inaceitáveis, que não podem ser admitidos ou vistos como algo “menor”, mas exigem o enfrentamento corajoso”. 

Eles definem que a colocação dos cartazes foi um “ato bárbaro, covarde, praticado às escondidas por indivíduos que não ousam mostrar a cara, por certo cientes do caráter abominável do que fazem. Atos, além disso, que de forma alguma refletem o espírito da maioria da população”.

A nota diz ainda que “é inadmissível que num espaço público pessoas continuem sendo desrespeitadas e tendo sua dignidade ofendida. A OAB se une às inúmeras manifestações de repúdio e pede que os órgãos competentes investiguem os fatos a fim de que sejam punidos exemplarmente os autores”

Para Marco Antônio, além de descobrir quem são os autores da mensagem, o caso deveria servir como exemplo para que situações como esta não se repitam em Blumenau. Ele diz que foi aconselhado inclusive a não desfilar na Oktoberfest para evitar provocações, mas que não vê motivos em se esconder.

— Eu ficaria muito mais feliz se isso tudo servisse como um alerta. Ninguém é mais do que ninguém. Há desigualdades e eu vivo isso por ser negro, mas nem por isso a gente precisa parar de viver em sociedade. A gente tem que ser maior do que isso e eu realmente espero que quem quer que tenha feito isso não tenha a dimensão do que isso pode ser. Ou que se tem a dimensão, ela entenda que está completamente fora do contexto dos nossos dias atuais.

 

Extraído do site do Jornal Diário Catarinense / Florianópolis – SC
http://dc.clicrbs.com.br/sc/noticias/noticia/2017/09/advogado-e-ameacado-por-mensagens-de-odio-coladas-em-postes-em-blumenau-9914627.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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