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Angola: Reverendo revela que proliferação de seitas religiosas afecta a identidade patriótica

07 Agosto de 2015 | 21h43 – Actualizado em 07 Agosto de 2015 | 21h43

Luanda – O presidente da Igreja Evangélica Sinodal de Angola (IESA), reverendo Diniz Eurico, revelou nesta sexta-feira, em Luanda, que a proliferação de seitas religiosas afecta a identidade cultural e patriótica dos angolanos, sobretudo quando se trata de uma denominação religiosa de origem estrangeira.

 

 

HUÍLA: REVERENDO DINIS EURICO, PRESIDENTE DA IESA FOTO: MORAIS SILVA
HUÍLA: REVERENDO DINIS EURICO, PRESIDENTE DA IESA
FOTO: MORAIS SILVA

Em declarações à Angop, a propósito da proliferação de seitas religiosas no país, o líder religioso admitiu a existência de seitas religiosas em Angola que proibem os seus membros a entoarem o Hino Nacional, além de recusarem o recenseamento militar e se absterem de outras práticas voltadas à promoção dos valores patrióticos, morais, cívicos e da solidariedade social.

Apontou que o desespero do ser humano, na ânsia de encontrar satisfação fácil para a sua vida material, o torna cada vez mais vulnerável em aceitar qualquer tipo de doutrina, visto que quando o cidadão é desorientado do ponto de vista social e da fé, encontra muitos problemas na estrutura da sua identidade.

O reverendo Diniz Eurico disse que do ponto de vista psicológico, essa situação acaba por afectar, de certa maneira, a personalidade dos crentes, visto que o fiel é aquele que acredita e espera que o seu Deus realize algumas acções integrais na sua vida pessoal.

No seu entender, é necessário o envolvimento de todas as comunidades quanto ao processo de resgate dos valores de forma integral, sejam eles espirituais, morais, cívicos, políticos, assim como culturais, visando a construção de uma sociedade sólida em termos de identidade.

Sublinhou que a proliferação de seitas religiosas constitui um perigo para a cultura nacional, uma vez que muitos fiéis destas religiões estão sujeitos a assimilarem hábitos e costumes trazidos de outros países.

“Devemos reflectir, profundamente, no fenómeno da proliferação de seitas religiosas, pois existem algumas cuja actividade é baseada na lavagem de dinheiro, proliferação da prática da feitiçaria, tráfico de seres humanos e de drogas entre outros sacrilégios, além de serem violentadas muitas crianças e adolescentes”, denunciou.

Na verdade, segundo o reverendo Diniz Eurico, este é um fenómeno que afecta as comunidades vulneráveis em relação a uma orientação de fé.

Disse que o homem, por excelência, tem virtudes e desvios, as virtudes o tornam equilibrado, enquanto os desvios fundados no egoísmo e na ambição pessoal, fazem com que muitos os cidadãos acabem por criar determinadas seitas.

Acrescentou que tais desvios vão ainda provocar complicações em algumas pessoas que acreditam seriamente em Deus, mas que precisam de uma oportunidade para que sejam reencaminhadas, reorientadas e educadas na fé, por ser este o pressuposto que dá ao homem uma certa esperança, dignidade mental e o reconhecimento da própria identidade.

O presidente da IESA fez saber que o contrário da orientação da fé pode causar ao homem certos distúrbios psicológicos que, posteriormente, o fazem andar por outros caminhos que em nada contribuem para manutenção da personalidade e da formação moral e espiritual da sociedade.

“Há uns anos, um líder de uma seita religiosa foi apanhado com drogas no meio da bíblia. Ele tivera cortejado as folhas do meio da bíblia fazendo um buraco por onde ele tivera colocado as drogas e fechou a bíblia como se fosse uma bíblia apenas e os policias quando o revistaram encontraram muitas drogas ao meio da bíblia. Isso é grave”, lamentou.

O reverendo Diniz Eurico afirmou que o ensino responsável do evangelho é a forma mais eficaz para combater o fenómeno da proliferação de seitas e do fundamentalismo religioso, provocado pela má interpretação bíblica.

Frisou que a interpretação dos textos bíblicos carece de muita ponderação e formação específica, por forma a não abrir portas a conclusões erróneas que levam o povo para a perdição.

Referiu que as consequências da proliferação de seitas religiosas não se reflectem apenas na esfera espiritual das pessoas, mas afectam a moral, o civismo e bons usos e costumes, além de serem uma ameaça ao processo de consolidação da paz, que o Estado e as igrejas devem salvaguardar, tendo em conta a garantia do bem-estar das famílias.

Nesta perspectiva, Diniz Eurico instou os líderes religiosos a conhecerem devidamente aquilo que fazem em nome de Deus, para não desencaminharem as pessoas em situação de vulnerabilidade, colocando em causa a paz.

O fundamentalismo, prosseguiu o presidente da IESA, pode ser religioso ou político que resulta sempre da má interpretação dos princípios normais que regem uma determinada comunidade ou religião, do ponto de vista de valores, hábitos, costumes e doutrina.

Por isso, apelou aos religiosos do sentido de defenderem os direitos das famílias e a liberdade religiosa, visando uma sã convivência, com base no respeito pelo próximo.

O reverendo Diniz Eurico disse que a inversão dos valores culturais, morais e cívicos, que se regista no país, é causada, principalmente, pela proliferação de seitas religiosas de origens e objectivos duvidosos.

Concluiu que certas seitas religiosas que operam no país, são responsáveis pela desestruturação da coesão das famílias e disseminam o fenómeno feitiçaria, iludindo os seus crentes.

Com sede em Luanda, a IESA foi fundada em 1897 e está representada nos continentes africano, europeu e americano.

 

Extraído do site da Agência de Notícias ANGOP Angola Express

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/sociedade/2015/7/32/Angola-Reverendo-revela-que-proliferacao-seitas-religiosas-afecta-identidade-patriotica,39e76cf9-36f4-4e76-b4d4-19ac8f56df80.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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