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Angústias no candomblé

Qua, 15/04/2015 às 12:40

José Medrado | Mestre em família pela Ucsale fundador da Cidade da Luz | medrado@cidadedaluz.com.br

 

Vi aqui em A TARDE, no último domingo, a notícias de que o governo do Estado criou um fórum para discutir a violência com o Estado e, no primeiro parágrafo, há a informação de que é “uma iniciativa para aproximar representantes de movimentos sociais do governo estadual, com foco na prevenção à violência”. Do rol dos presentes, senti a falta de entidades ligadas a ações contra a intolerância religiosa. Certamente, a iniciativa trata de ações pontuais para evitar notícias em torno de possíveis violências policiais e ou afins.

Tenho, por outro lado, recebido manifestações de muita angústia por parte de segmentos religiosos de matriz africana, por força de vídeos de jovens fardados batendo continência e “prontos para batalha”, com o nome de gladiadores do altar. Guardam a aparência de milícia paramilitar, bem ao modo fascista. Vejo, preocupado, certa indiferença dos poderes públicos sobre assuntos associados à intolerância religiosa, talvez porque, ao lado de tudo que vemos pela imprensa e redes sociais, se escora em um poder político crescente, que tem, inclusive, ditado o que o Estado pode ou não fazer em termos de educação e cidadania.

O que nos garante que não estamos vendo um fundamentalismo religioso crescendo, sob o olhar omisso de parte da sociedade? Será que não há histórico para tais receios? É esperar algo acontecer para se fazer alguma coisa? Preocupa-me, de outra parte, acooptação e ou partidarização de ações que devem nascer neutras, porquanto de proteção à laicidade do país, ao direito de se professar a fé que se queira, sem medos, receios de qualquer natureza. Sei que há um fórum para o combate da intolerância religiosa, mas o entendo como espaço teórico, que resulta, de um modo geral, em ações práticas pouco eficazes. O povo de santo que desde sempre se vê perseguido mais uma vez se atemoriza, e com justa razão, porque geralmente a sua proteção é diante da imprensa, mas nunca de fato para as suas dificuldades.

 

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador-BA
http://atarde.uol.com.br/opiniao/noticias/1673873-angustias-no-candomble-premium

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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