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Aniversário de Mãe Menininha do Gantois é comemorado em ato de refundação do PPLE

Foi com a canção Oração a Mãe Menininha, que os participantes e membros da Executiva Nacional fizeram uma homenagem ao 119º aniversário do nascimento da Iyalorixá do Gantois, Maria Escolástica da Conceição Nazaré, conhecida como Mãe Menininha do Gantois (leia sua biografia aqui). Nessa ocasião, a Executiva Nacional concretizou o ato de refundação do PPLE (pèpéle) – Partido Popular de Liberdade de Expressão Afro-Brasileira. Mãe Menininha é um dos maiores ícones da luta contra a intolerância religiosa, além de ter contribuído essencialmente para a divulgação e esclarecimento da nossa cultura, em especial sobre o candomblé, que na época era confundido com bruxaria e mal visto por todos que não eram seguidores. Ainda hoje, encontramos àqueles que o consideram como tal, a pretexto da imposição de uma cultura racista e de uma religião impositiva.

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Foto: Sérgio d´Giyan

A passagem do Carnaval não foi obstáculo para o comparecimento daqueles que acreditam na força de um partido nacional que venha lutar e defender os interesses da cultura afro-brasileira (leia aqui o programa que foi acatado por todos os filiados e membros da Executiva do Pèpéle). O ato simbólico foi acometido de uma forte emoção no momento em que a IyalorixáEdelzuita de Osogiyan, uma das mais antigas filhas do Gantois, deu início a célebre canção, criada por Caetano Veloso, e interpretada magistralmente pelas cantoras Gal Costa e Maria Bethânia, ambas filhas de Mãe Menininha. Em seguida, todos que ali estavam a acompanhavam. Mãe Edelzuita comentou posteriormente sobre sua iniciação e sua história de vida junto a sua Iyalorixá, e o respeito que todos do Asé ainda nutre pela grande matriarca. Presentes a esse ato, estavam Marcelo Monteiro, presidente da Executiva Nacional do PPLE, as IyalorixásEdelzuita de Osogiyan, Margareth d´Osun (do Alto da Cachamorra), os BabalorixásLinaldoT´Ogun, Gustavo de Ogun e Luis de Oxalá, a Iyalorixá Fátima de Sangó, Dolores Monteiro, do CETRAB, Sérgio d´Giyan (Jornal Awùre), Ogan Manoel da Estação, Haroldo de Airá (filho de Irany de Osaalá), Ogan Deuy de Osaalá (da casa de Kaká de Omulu), Magno de Obaluaiyé (do Afoxé Filhos da Paz). A criação do Pèpéle surgiu em meados de 2000, culminando num ato público de fundação no dia 20 de novembro de 2000, no Monumento Zumbi dos Palmares, na Praça XI do Rio de Janeiro. Todavia, por uma série de adversidades e inabilidades políticas o processo ficou adormecido, por doze anos, porém vivo na consciência daqueles que acreditam que “só seremos respeitados a partir da unidade política do nosso povo”. Pèpéle significa montículo de terra, base de sustentação dos altares sagrados, a qual esperamos servir de alicerce das nossas ações, respaldado pela herança da força de resistência e de fidelidade dos nossos ancestrais divinizados e de nossos antepassados. Venha construir conosco este legado, pois, “nunca é tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou para trás”, ou seja, voltar às suas raízes e construir sobre elas, o progresso e a prosperidade. É o que nos simboliza o Sankofa, o pássaro dentro do trono de nossa Logomarca. Filie-se ao PPLE, seja um defensor da sua religião…..a Umbanda e o Candomblé precisam de guerreiros como VOCÊ!…Conheça o PPLE aqui! Confira as fotos do evento na página do Jornal Awùre no facebook: https://www.facebook.com/jornalawure O Jornal Awùre presta uma homenagem ao 119º aniversário da Iyalorixá Maria Escolástica Nazaré, Mãe Menininha, que com inteligência, coragem e perserverança administrou uma das mais significativas comunidades de terreiro do País, o Gantois. A todos os seus descendentes, que com fé, respeito e fidelidade preservam o Asé até hoje. Maria Escolástica da Conceição Nazaré – Nasceu em 10 de fevereiro de 1894 ,conhecida como Mãe Menininha do Gantois em razão do apelido menininha que recebeu na infância por ser quieta e franzina e sua posição no terreiro que assumiu. Era filha de Oxum. Foi a quarta Iyálorixá do Terreiro do Gantois, e a mais famosa de todas as Iyálorixá brasileiras, foi sucessora de sua mãe Maria da Glória Nazareth e foi sucedida por sua filha Mãe Cleusa Millet. Ela vinha de uma longa linhagem de Iyalorixás, as chefes dos terreiros de candomblé. O Gantois foi fundado em 1849, por sua bisavó Maria Júlia da Conceição Nazaré. Na década de 20, foi escolhida para ser a Iyalorixá do terreiro em virtude da morte de sua tia-avó, Mãe Pulchéria, enquanto se preparava para assumir o cargo, sua mãe Maria da Glória Nazareth ficou por um curto período à frente do Gantois. Aos 29 anos, casou com o advogado Álvaro MacDowell de Oliveira, descendente de ingleses. Com ele teve duas filhas, Cleusa e Carmem. Admirada pela sabedoria, gentileza, conhecimentos, humildade e pulso firme, Mãe Menininha do Gantois foi a grande responsável pela difusão e popularização do candomblé na Bahia, conseguiu agregar pessoas de todas as religiões em seu terreiro, inclusive personalidades como Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Tom Jobim, Antônio Carlos Magalhães e Vinícius de Moraes, que só tomavam decisões importantes após consultá-la. Neta de escravos africanos da tribo Kekeré, da Nigéria, ainda criança foi escolhida pelos santos do candomblé do terreiro fundado pela bisavó, o Axé La Masse, como mãe-de-santo (ialorixá). Iniciada tia, assumiu o topo da hierarquia da religião ao completar 28 anos. Ditando as regras e comandando o terreiro, conhecido como Gantois, conseguiu maior respeito e aceitação do candomblé por outras religiões e pelo poder político, que perseguia e condenava os praticantes dos rituais. Seu mérito estendeu-se também à modernização do candomblé: mesmo abrindo as portas para integrantes e pessoas de outros cultos e religiões, não deixou que se transformasse em exploração folclórica e turística. Um modelo de vitalidade e bondade, conciliou as atividades do terreiro com a família, realizando obras de caridade. Em uma entrevista dada a revista IstoÉ, mãe Carmem, filha de mãe Menininha do Gantois, conta que ela adorava assistir telenovelas, sendo que uma de suas preferidas teria sido Selva de Pedra. Era colecionadora de peças de porcelana, louça e cristais, sobre os quais guardava muito zelo. Não bebia Coca-Cola, pois certa vez lhe disseram que a bebida servia para desentupir os ralos de pias, e ela temia que a ingestão da bebida fizesse efeito análogo em si.Faleceu de causas naturais aos 92 anos de idade.

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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