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ANMA responde ao jornal Extra: Estudante pode ter sido morta em meio a ritual religioso em Petrópolis

Texto: Sérgio D´Giyan

 

A ANMA – Associação Nacional de Mídia Afro enviou no início dessa semana uma correspondência para o Jornal Extra, a fim de que o veículo tomasse providências no sentido de esclarecer ao público leitor sobre o conteúdo de uma matéria publicada em seu impresso.

A matéria “Estudante pode ter sido morta em meio a ritual religioso em Petrópolis“, do jornalista Marcos Nunes, e publicada na edição do Jornal Extra, de 15 de maio corrente, traz a imagem de um “gongá”, altar utilizado na Umbanda, com imagens de santos católicos, e que não tem nenhuma relação com rituais de magia negra.

 

Leia a íntegra da correspondência encaminhada pela ANMA ao Jornal Extra:

 

Rio de Janeiro, 16 de maio de 2014.

 

Ao

JORNAL EXTRA

Prezados Senhores,

Em relação matéria veiculada na edição do dia 15/5/14 deste Jornal com o título: “Estudante pode ter sido morta em meio a ritual religioso em Petrópolis”, de autoria do Sr. Marcos Nunes, cumpre-nos esclarecer e solicitar:

1 – Na aludida matéria jornalística, informa-se que há suspeitas de que o crime tenha sido cometido em “rituais de magia negra”. O texto ainda menciona que no cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão, foram achados na residência do suspeito, documentos relativos a …”um ritual de vodu, que nasceu na África com os escravos e ainda é muito praticado no Haiti.”

2 – Contudo, as fotografias tiradas na casa do suspeito e utilizadas para ilustrar a matéria, retratam imagens de um típico altar de Umbanda, onde são notadas estátuas de Entidades e Santos cultuados na referida Religião.

3 – Destarte, a matéria acaba por confundir o leitor, que pode ser induzido a erro no sentido de interpretar que as Religiões de Matrizes Africanas possuem os mesmos elementos dos rituais de magia negra; ou ainda que o crime fora cometido por alguém, a pretexto da Umbanda, ou do Candomblé

4 – Portanto, é crucial que este Jornal esclareça ao público leitor que:

A – AS RELIGIÕES DE MATRIZES AFRICANAS NÃO REALIZAM NENHUM RITUAL COM SACRIFÍCIO HUMANO;

B – AS RELIGIÕES DE MATRIZES AFRICANAS NÃO PODEM SER CONFUNDIDAS COM “RITUAIS DE MAGIA NEGRA”;

C – OS ELEMENTOS RITUAIS, ASSIM COMO AS ENTIDADES, SANTOS E ORIXÁS CULTUADOS NAS RELIGIÕES DE MATRIZES AFRICANAS NÃO SE CONFUNDEM COM NENHUM RITUAL DE MAGIA NEGRA.

5 – Em razão disto solicitamos seja atendido nosso apelo acima descrito, com o desiderato de evitar máculas às Religiões de Matrizes Africanas.

Por oportuno, desde já esta Associação se coloca inteiramente à disposição deste veículo de comunicação para quaisquer esclarecimentos adicionais.

Atenciosamente.

Márcio de Jagun

Presidente

Av. Sernambetiba, 8.000 – Grupo 206,

Barra da Tijuca – Rio de Janeiro –R.J.

Tels.: 21-2220-7034 / 21-7849-0411

ori@ori.net.br / juridico@anma.org.br

www.anma.org.br

 

Leia abaixo a matéria objeto da resposta:

JORNAL EXTRA (15/5)

(Por Marcos Nunes)

 

Estudante pode ter sido morta em meio a ritual religioso em Petrópolis

Stefanini de Freitas Monken da Conceição, que foi morta em Petrópolis Foto: Freelancer / Reprodução/ rafael Moraes/Extra/ Agência O Globo
Stefanini de Freitas Monken da Conceição, que foi morta em Petrópolis
Foto: Freelancer / Reprodução/ rafael Moraes/Extra/ Agência O Globo

Marcos Nunes

 

A polícia investiga se a estudante Stefanini Freitas Monken da Conceição, de 17 anos, que estava desaparecida desde 2011,em Petrópolis, na Região Serrana, foi morta em um ritual religioso ou acabou sendo vítima de um crime motivado por ciúme. Nesta quarta-feira, policiais da 105ª DP (Petrópolis) prenderam o pai, a mãe e o irmão da jovem.

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Acusados de envolvimento no assassinato da estudante, o caseiro Celso Conceição Nascimento, de 47, a mulher dele, Andreia Helena de Freitas Monken, de 37, e o filho Wesdras Freitas Monken Conceição, de 19, foram detidos em no sítio onde trabalhavam, em Itaipuaçu, no município de Maricá, na Região Metropolitana.

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Apesar de ter sido divulgada apenas nesta quarta-feira, a morte da jovem foi confirmada pela polícia há aproximadamente 20 dias. Na ocasião, um exame de DNA, feito no laboratório da UERJ, revelou que um osso encontrado por um cachorro, próximo ao sítio onde Stefanini morava, era na realidade, um fêmur do corpo da estudante. Segundo a polícia, a notícia foi repassada a família, que não esboçou qualquer reação emotiva. O delegado Alexandre Ziehe, da 105ª DP (Petrópolis), está convicto da participação do pai, da mãe e do irmão, na morte da garota.

—Temos indícios nos autos que nos levam a acreditar que o pai da menina teria praticado o homicídio, que possivelmente contou com a cobertura da mãe e do irmão da Stefanini. Trabalhamos com as hipóteses de que a morte da adolescente estaria ligada a algum ritual religioso ou a uma agressividade do pai, que era extremamente ciumento e não aceitava o fato da vítima estar namorando um jovem — disse o delegado Alexandre Ziehie.

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Ao receber voz de prisão, ontem, Andreia Helena Monken esboçou apenas uma reação.

—Ela pediu apenas para dar um telefonema e para dar comida para as galinhas e os cachorros —disse Ziehie.

Celso, Wesdras e Andreia foram detidos, após a Justiça de Petrópolis decretar a prisão temporária do trio.

Stefanini desapareceu no dia 30 de setembro de 2011.

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Ontem, a polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão no sítio onde