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ANMA reúne povo de santo em prol da religião

Texto: Sérgio D´Giyan A ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro promoveu ontem (23/5) reunião aberta com o Povo de Santo, no qual reuniu diversas lideranças religiosas de matriz africana na casa de Pai Renato do Obaluaiyé, em Bonsucesso. O encontro serviu para esclarecer os últimos acontecimentos devido a repercussão negativa que a decisão do Juiz Eugenio Rosa de Araújo, da 17ª Vara Federal trouxe para a religiosidade de matriz africana. O anfitrião da casa Pai Renato de Obaluaiyé deu início a atividade agradecendo a presença de todos e alertando para os desdobramentos que tal decisão poderia acarretar à nossa religiosidade. Pai Marcio de Jagun, presidente da ANMA, lembrou o início das atividades da ANMA e o principal motivo que levou aos profissionais de mídia afro a se organizarem em volta de uma associação. Contou que no início do ano, após pesquisa no You Tube, canal de vídeos administrado pela multinacional Google do Brasil, verificou que alguns vídeos postados naquela rede continham traços de violência e de vilipêndio as religiões de matriz africana. Após denúncia acatada e levada adiante pelo Ministério Público, representado pelo Procurador Jaime Mitropoulos, e tendo em vista que o Google não acatara a recomendação do MP, a Procuradoria ajuizou então Ação Civil Pública perante a Justiça Federal.   Coube ao juiz Eugenio Rosa decidir pelo andamento da ação. Ao indeferir o pleito justificando que nos vídeos não continham cenas que ofendessem as manifestações afro-religiosas por não considerar que tais manifestações não continham traços que definissem como religião,como estrutura hierárquica, ausência de um Deus a ser venerado e de um livro contendo orientações litúrgicas, o juiz Eugenio Rosa provoca em toda a sociedade, incluindo adeptos e simpatizantes das religiões de matriz africana, nacional e internacional, repúdio pelo despacho deferido. O Presidente da ANMA ressaltou a importância de aproveitarmos este momento para promovermos a tão sonhada união do Povo de Santo, com a criação de uma frente única. Disse que para isso, deveremos focar no objetivo comum e deixarmos de lado as concepções diferentes. Mãe Ignez Teixeira, diretora cultural da ANMA, manifestou que seria o momento de valorizarmos a nossa cultura e nossa religiosidade. Pai Sérgio D´Giyan, diretor financeiro, relembrou os tempos de militância quando do início dos ataques às comunidades de terreiro, como a de Mãe Meninazinha de Osun, em São Mateus, e da criação de uma entidade de defesa às religiões afro-brasileiras. Hoje, com o advento da criação da ANMA, temos um organismo de defesa e de manutenção das nossas tradições, e que todos podem levar ao conhecimento da diretoria cada vez que se observar o vilipêndio à nossa cultura nos meios de comunicação. Marcio Nobre, diretor secretário, frisou que estamos atravessando um momento único, em que teremos que deixar nossas diferenças de liturgia e unir forças contra um inimigo que não estava ali reunido. Mãe Jussara, lembrou que essa união é necessária e lembrou que no momento que se fez necessidade lutar contra a demolição de um monumento da Umbanda, diversos candomblecistas foram para a linha de frente lutar pela manutenção daquele imóvel, ícone do nascimento da Umbanda na região. Marcelo Monteiro, presidente da executiva nacional do PPLE - Partido Popular da Liberdade de Expressão, salientou que somente a partir de uma união político partidária é que seremos fortes para combater as investidas de outras religiões neo-pentecostais evangélicas. Pai Flavio Costa de Obaluayé observou que temos que participar e ser participativo em todas as instâncias, e se fazer representativos nas questões que envolvem a religiosidade de matriz africana. Além das personalidades já citadas, estiveram presentes, a Iyalorixá Regina de Osoosi, Pai Elias de Iansã, Pai Leonel de Omulu, Marcos Xavier do MUDA - Movimento Umbanda do Amanhã, Mãe Flavia Pinto, da Casa do Perdão, Jorge Damião - diretor institucional da ANMA, além de outros zeladores. Pai Marcio e Pai Renato, agradeceram a presença de todos e a contribuição que todos trouxeram à causa. Na próxima quarta-feira, em horário a ser definido, uma manifestação na entrada da 2ª região está prevista, onde será entregue ao presidente da casa um manifesto com as assinatura colhidas nos eventos realizados desde a última quarta-feira na ABI, no centro da cidade.
Foto: Flavio Costa
Foto: Flavio Costa
Foto: Flavio Costa
Foto: Flavio Costa
Foto: Flavio Costa
Foto: Flavio Costa
Foto: Flavio Costa
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About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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