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Ao lado de Bita do Barão, Firmino inaugura Praça dos Orixás e pede mais tolerância

10/11/17, 08:43

 

Fotos: Renato Bezerra/PMT

A noite desta quinta-feira (09) foi de festa no Parque Lagoas do Norte. O prefeito Firmino Filho e representantes dos povos de terreiros de Teresina inauguraram a Praça dos Orixás, primeiro monumento público em homenagem às religiões e às culturas de matriz africana. O pai de santo maranhense Bita do Barão também participou da inauguração.

O prefeito Firmino Filho destacou que a Praça dos Orixás é um novo capítulo na história da cidade, marcada pelo respeito às diversidades. “A praça é uma homenagem que faz o resgate da cultura dos povos de matriz africana, com quem ainda há muita dívida. Uma praça é pouco. O que temos que construir é mais do que uma obra material, é uma obra coletiva de valores e princípios democráticos, cidadãos. Essa praça não pertence apenas aos povos de terreiro, ela pertence à cidade de Teresina, ao nosso futuro. Esse futuro que queremos construir: mais tolerante e mais respeitoso. Essa noite é uma noite simbólica, histórica. Aqui nós estamos escrevendo um capítulo de resgate, de respeito às religiões de matriz africana, ao povo negro. Aqui nós estamos escrevendo um capítulo da liberdade, de uma Teresina livre”, disse o gestor.

Para os pais e mães de santo, a praça fará com que as religiões de matriz africana se tornem mais conhecidas, contribuindo para o combate à intolerância religiosa. 

“Essa praça fará diferença, fará com que as pessoas conheçam nossa cultura, saibam que Teresina tem mais de 500 terreiros”, disse o vice presidente do Cenarab, pai Rondinele de Oxu. “A Praça é um sonho realizado, é um grande presente. O desconhecido não é respeitado. E aqui nós vamos mostrar a nossa religião, o nosso trabalho”, completou o pai Adilton, que fez a bênção da Praça dos Orixás durante a solenidade de inauguração.

O pai Flávio de Iansã lembra que a Praça dos Orixás é o pontapé contra as manifestações de preconceito. “A Praça enriquece a umbanda, o nosso bairro, a nossa espiritualidade. E hoje nos umbandistas estamos muito felizes. Nós estamos dando o pontapé no preconceito, contra a intolerância religiosa”, resumiu Flávio de Iansã que mora no bairro Matadouro, área de intervenção do Programa Lagoas do Norte. 

Histórico

A concepção da Praça dos Orixás começou a ser discutida ainda em 2012 com o seminário ‘Sustentabilidade e Cultura: Um Norte para Teresina’. “A praça foi uma demanda da comunidade, o projeto foi feito com a comunidade, a escolha dos artistas foi pela comunidade dos povos de terreiro de Teresina. E é assim que queremos continuar seguindo no planejamento da cidade de Teresina e em especial no projeto do Programa Lagoas de Norte. A umbanda e o candomblé sempre tiveram que expressar sua crença sem visibilidade e agora todos vamos conhecer as histórias das entidades que as representam. E isso é cultura. Mais do que isso, é respeito de um cidadão com o outro”, destacou o secretário municipal de Planejamento e Coordenação, Erick Amorim.

Em 2014, o projeto de concepção do espaço foi apresentado aos pais e mães de santo. A Prefeitura de Teresina manteve o diálogo com os representantes da Umbanda e Candomblé para realizar os ajustes. No projeto original, por exemplo, estavam previstas apenas nove esculturas, mas a pedido dos pais e mães de santo foram erguidas 13, sendo dez orixás e três entidades representativas de Umbanda.

Junto com as 13 esculturas, a Praça dos Orixás tem também um palco para apresentações. O investimento para construção foi de R$ 501.508,68.

Da redação
redacao@cidadeverde.com

 

Extraído do site de notícias Cidade Verde / Teresina – PI
https://cidadeverde.com/noticias/259925/ao-lado-de-bita-do-barao-firmino-inaugura-praca-dos-orixas-e-pede-mais-tolerancia

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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