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Aos Orixás o céu, aos homens a terra

22/07 – 05:04

 

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Um mito yorubá, narrado pelo saudoso Mestre Agenor Miranda dizia que quando Olódùmarè criou o universo, todos podiam transitar livremente entre o Òrun-céu e o Àiyé-terra. A proibição de trânsito e a separação dos dois mundos foram devidas a uma desobediência a Òsàlá, Òrìsá responsável pela criação dos seres humanos.

O mito contava que um casal ansioso por um filho procurou Òsàlá e lhe implorou a realização do desejo. A princípio, Òsàlá relutou em atender-lhes, mas devido a grande insistência, Òsàlá aceitou em ajudar-lhes, mas com uma condição: o menino deveria viver sempre no Àiyé e nunca poderia entrar no Òrun.

Como o casal aceitou a determinação de Òsàlá, logo a mulher engravidou e o menino nasceu forte e sadio. Já crescido, o menino era muito esperto e curioso, e seus pais, devido ao pacto com Òsàlá, escondiam dele a existência do Céu. Só que o pai do menino tinha uma plantação que avançava para dentro do Òrun, e quando saía para trabalhar na lavoura dizia que ia para outro lugar. O menino que andava desconfiado fez um furo no saco de sementes que o pai carregava para a plantação e seguiu a trilha das sementes até ao céu. Ao entrar no Òrun, foi detido pelos guardiões que lhe levaram a presença de Òsàlá. Òsàlá logo reconheceu o menino que dera àquele casal e, revoltado com a desobediência, bateu com muita força seu Òpá sóró (cajado sagrado) que atravessou todos os espaços do Òrun, criando assim a separação do infinito com a terra.

Depois do ocorrido, os Òrìsà passaram a morar no Òrun, os humanos no Àiyé, e só após a morte é que os espíritos retornam ao Òrun.

Axé!

Fonte: Extra/Globo

 

Extraído do site de notícias Boa Informação / Penedo – AL
http://boainformacao.com.br/2016/07/aos-orixas-o-ceu-aos-homens-a-terra/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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