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Após alegar traição, suspeito muda versão sobre morte de mãe e criança

Depoimento aponta envolvimento de padrasto de vítima em Poços, MG.
Suspeito revelou ter relacionamento homossexual com pai de santo.

Jéssica BalbinoDo G1 Sul de Minas | 23/06/2015 20h08 – Atualizado em 23/06/2015 20h16

 

 

 

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A Polícia Civil de Poços de Caldas (MG) investiga se um suposto amante teria instigado o duplo homicídio que resultou na morte de uma mulher de 30 anos e a filha de 3 no último final de semana em Poços de Caldas (MG). Segundo o delegado que investiga o caso, o suspeito dos crimes mudou a versão que apresentou anteriormente, de ter matado as duas por desconfiar da paternidade da criança. Na nova versão, ele disse ter sido influenciado pelo padrastro da esposa, com quem teria um caso homossexual e de quem recebia orientações em um terreiro de candomblé, onde o homem seria pai de santo. O conteúdo do depoimento do pedreiro Marcos Francisco Pedrilho, de 22 anos, foi revelado nesta terça-feira (23) pela polícia.

Delegado Cleyson Rodrigo Brene deu detalhes do depoimento do suspeito (Foto: Jéssica Balbino/ G1)
Delegado Cleyson Rodrigo Brene deu detalhes do
depoimento do suspeito (Foto: Jéssica Balbino/ G1)

“Durante o depoimento, ele mostrou muita frieza e nos disse que seria homossexual e que tinha uma relação com o pai de santo e que este, ora incorporado por entidades, ora não, lhe pedia para se livrar da esposa e da filha. Outra coisa que ele nos revelou em depoimento é o uso de panos na boca das vítimas após esganá-las. Segundo ele, a prática seria comum em rituais de magia negra e evitaria que o espírito se desprendesse do corpo”, relatou o delegado.

Ainda de acordo com a polícia, o objetivo a partir de agora é confirmar se há, de fato, ligação entre o principal suspeito e o padrasto da vítima. Este último também foi ouvido e negou qualquer participação no caso, bem como o fato de ser homossexual. “Vamos investigar se de fato ele participou, porque a suspeita é de que ele tenha instigado o Marcos a cometer os crimes”, enfatizou o delegado.

Marcos Pedrilho disse estar arrependido das mortes (Foto: Jéssica Balbino/ G1)
Marcos Pedrilho disse estar arrependido das mortes (Foto: Jéssica Balbino/ G1)

Durante a apresentação na delegacia, o suspeito Marcos Francisco Pedrilho não quis responder às perguntas feitas pela imprensa e disse apenas que se arrependeu do crime. “Estou muito arrependido. Foi uma idiotice o que eu fiz”, falou.

Estou muito arrependido. Foi uma idiotice o que eu fiz”

Marcos Francisco Pedrilho
suspeito do crime

A irmã de Marcos, Ingrid Aparecida Raimundo revelou, em entrevista, que não tem dúvidas de que existe mais um envolvido no caso. “Eu não tenho dúvidas que há outra pessoa. O que o Marcos fez com uma covardia. Matar a mulher e uma criança de três anos e ele tem que pagar pelo que fez, mas não só ele. Meu irmão não pode pagar sozinho. Se tem mesmo outra pessoa, ela também tem que pagar”, comentou.

Aniversário do pai de santo e presente
O delegado relatou também que mãe e filha foram mortas justamente no dia do aniversário do homem que teria instigado os crimes. Segundo Brene, durante o interrogatório, o jovem confessou que o aniversário do suposto amante seria no sábado (20), data em que ele matou a família. De acordo com a polícia, Marcos teria prometido um presente ao padrasto de Aline, que teria cobrado agilidade nisso.

“Acreditamos que esse fato também tenha ligação da morte das duas, já que o suspeito também confessou que no terreiro, ele era tido como ‘pai menor’, ou seja, o assistente mais ligado ao pai de santo maior, que é o Carlos Henrique Ramos, padrasto da vítima”, disse o delegado.

Marcos usou rede social de mulher, já morta, para postar mensagens (Foto: Jéssica Balbino/ G1)
Marcos usou rede social de mulher, já morta, para postar mensagens (Foto: Jéssica Balbino/ G1)

Mensagens em rede social
Outra informação apresentada pela Polícia Civil são as mensagens publicadas pelo suspeito em uma rede social após o crime. Segundo o delegado, mãe e filha foram mortas por volta das 15h e por volta das 17h10 ele postou fotos e mensagens, tanto da mulher como da filha.  Além das postagens, o jovem possivelmente usou a senha da esposa para acessar o perfil dela e ainda comentou uma postagem que ele mesmo fez.

“A primeira postagem dele foi feita às 17h, dizendo que amava muito a família. A segunda postagem foi feita às 17h08, onde ele postou um álbum com fotos da família, em que ele aparece também e a terceira postagem foi às 17h12, com uma foto da vítima grávida onde ele dizia ‘que saudade desse barrigão’”, disse Brene.

Para o delegado, as postagens evidenciam que o crime pode ter sido planejado por ele e não algo passional, como ele tentou alegar. “Ele estava com elas mortas, dentro de casa e postou as mensagens com frieza.

Ainda segundo a polícia, Marcos apagou as mensagens que existiam nos telefones, tanto dele como de Aline. Os aparelhos estão com a perícia, que tenta recuperá-las.

Carta escrita com sangue
Na manhã desta terça-feira (23), os investigadores da Polícia Civil voltaram à casa onde Marcos Pedrilho vivia com a mulher e a filha. No local, a mãe e o padrasto da Aline acompanharam a ação dos policiais, que apreenderam objetos como uma luminária no formato de uma torre com um dragão, livros como um tratado de magia e a carta escrita com sangue.

Carta que teria sido escrita com sangue do rapaz foi apreendida (Foto: Thalles Bruno/ EPTV)
Carta que teria sido escrita com sangue do rapaz
foi apreendida (Foto: Thalles Bruno/ EPTV)

A carta seria uma despedida endereçada à Aline, onde Marcos diz que quando a esposa estivesse lendo a carta ele provavelmente estaria morto. No material ele pedia desculpas por a ter abandonado, mas não suportaria vê-la nos braços de outro.

Ele ainda pedia que a Aline cuidasse bem da filha e na hora de se despedir, dizia que escreveu a carta com o sangue para provar a esposa que a ama. Marcos desenhou um coração cravejado por um tridente com as iniciais dele e dela e assinou a carta.

Questionado sobre a carta escrita com o sangue do suspeito do crime, o delegado informou que o jovem reconheceu a autoria do material e que isso pode ter ligação com o fato de que uma vez ele tentou se matar, cortando os pulsos. “Ele teria cortado os braços a pedido do pai de santo, que teria dito que os pulsos dele tinham que jorrar sangue para que ele salvasse a vida da filha dele que ainda ia nascer”, esclareceu Brene.

Em entrevista ao G1, a mãe do jovem Rudineia Aparecida da Silva Mariano Leal disse que foi ela que encontrou a carta na casa da avó do jovem, em Poços de Caldas e confirmou que ela teria sido escrita com o sangue dele.

“Não sei o que se passou com meu filho, acredito que ele agiu por influência, mas não sei dizer de quem. Nós somos candomblecistas, mas escrever com o sangue não tem nada a ver com a religião. Fui eu que achei essa carta há anos. Na época eles tinham se separado porque ele ‘chifrou’ ela  e ela não queria mais nada com ele. Eu dou razão pra ela, mas ele queria se matar”, revelou a mãe do jovem.

Mãe e filha foram esganadas por pedreiro no último sábado (20) (Foto: Reprodução/ Facebook)
Mãe e filha foram esganadas por pedreiro no último sábado (20) (Foto: Reprodução/ Facebook)

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Extraído do portal de notícias G1 / Poços de Caldas – MG
http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2015/06/apos-alegar-traicao-suspeito-muda-versao-sobre-morte-de-mae-e-crianca.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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