Breaking News

Após ataques a templos, crimes de intolerância religiosa são investigados

Setor exclusivo para apurar esse tipo de crime foi criado pelo governo de MT.
Membros de centros espíritas, candomblé e umbanda cobram punição.

Denise Soares | Do G1 MT | 13/08/2015 15h26 – Atualizado em 13/08/2015 15h34

 

Centro Espírita 'Associação A Caminho da Luz' foi alvo de vandalismo no mês passado (Foto: Elcha Britto/Arquivo pessoal)
Centro Espírita ‘Associação A Caminho da Luz’ foi
alvo de vandalismo no mês passado
(Foto: Elcha Britto/Arquivo pessoal)

Um setor exclusivo para investigar crimes motivados por intolerância religiosa foi criado nesta quinta-feira (13) pela Polícia Civil em Mato Grosso. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT), o delegado Luciano Inácio da Silva foi designado para investigar os crimes. A polícia não tem um número oficial de casos de intolerância no estado.

O secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque, assinou uma portaria oficializando a criação do setor para investigações. O documento ainda deve ser publicado no Diário Oficial do Estado (DOE). Líderes e representantes de centros espíritas, candomblé e umbanda também participaram da reunião. Os religiosos procuraram a secretaria para cobrar maiores investigações em supostos crimes praticados contra os grupos e templos religiosos.

saiba mais

Para o representante e presidente da Federação Nacional de Umbanda e Cultos Afro Brasileiro (Fenucab), Aécio Paniagua Montezuma, a falta de interpretação das próprias autoridades e desconhecimento sobre as religiões são os principais problemas enfrentados.

“Aqui em Mato Grosso está ocorrendo invasão de terreno, invasão de templos religiosos, além de pessoas que destruíram imagens e invadiram o nosso território sagrado. Na semana passada tivemos dois casos onde as casas foram destruídas. Não é mais dano e invasão, isso já é intolerância religiosa”, disse Montezuma.

Delegado Luciano Inácio irá investigar crimes motivados por intolerância religiosa em Mato Grosso (Foto: Lenine Martins/Sesp-MT)
Delegado Luciano Inácio irá investigar crimes motivados
por intolerância religiosa em Mato Grosso
(Foto: Lenine Martins/Sesp-MT)

Um dos casos citados pelo representante ocorreu no final de julho em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá. Vândalos invadiram o Centro Espírita Associação A Caminho da Luz e atearam fogo no local. Nenhuma pessoa foi presa ou identificada.

Em Cuiabá, no dia 1º de agosto, uma casa que realizava cerimônia de umbanda teve parte da estrutura queimada. “Esse setor que foi criado vai pelo menos ser um ponto de referencia para aqueles que estão sofrendo qualquer tipo de intolerância. Não necessariamente as pessoas vão ter que ir pra terreiro ou candomblé. Conhecendo já basta, pois aí a pessoa não vai mais criticar ou ter um ato de intolerância”, opinou Montezuma.

O setor vai funcionar em horário comercial dentro da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá, localizada na Avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha), região central da capital mato-grossense.

Membros de Centro Espírita não descartam crime de ódio religioso (Foto: Elcha Britto/Arquivo pessoal)
Membros de Centro Espírita não descartam crime
de ódio religioso
(Foto: Elcha Britto/Arquivo pessoal)

“Às vezes na delegacia esses casos de intolerância religiosa eram registrados como briga, discussão ou invasão, quando na verdade se tratava de algo mais sério. Dessa forma, criamos o setor de atendimento de crimes praticados contra a intolerância religiosa. Os grupos alegavam que os crimes eram tratados como crimes comuns”, disse o secretário Mauro Zaque.

Conforme o secretário, mesmo que os crimes sejam registrados em outras delegacias, eles devem ser redirecionados para o setor de investigação exclusivo na DHPP. “Entendo que as religiões de origem africana talvez sejam desconhecidas até de certa forma agredidas. Eu quero entender e compreender a religião e poder tomar as medidas para centralizar as denúncias e informações de onde estão vindo esses ataques”, declarou o delegado nomeado para o setor, Luciano Inácio.

A pena para esse tipo de crime, segundo o delegado, varia entre 1 a 3 anos de prisão.

 

 

Extraído do portal de notícias G1 / Mato Grosso
http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2015/08/apos-ataques-templos-crimes-de-intolerancia-religiosa-sao-investigados.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *