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Após financiamento coletivo, ilustrador baiano lança HQ inspirada em Orixás até agosto

  por Marcos Maia Domingo, 22 de Janeiro de 2017 - 00:00  
Foto: Tiago Dias / Bahia Notícias
A campanha de financiamento para publicação do romance ilustrado “Contos de Òrun Àiyé”, série de HQ's inspiradas nos Orixás, chegou ao fim na última sexta-feira (13) com um saldo de 816 colaboradores e cerca de R$ 40 mil arrecadados. Vale ressaltar que a meta inicial estabelecida através da plataforma de financiamento coletivo "Catarse" (clique aqui), era R$ 12 mil. "O prazo inicial era para junho, mas acredito que será adiado. Como a campanha cresceu, as recompensas cresceram. Estou organizando os novos prazos", comemora Hugo Canuto, ilustrador e idealizador dos Contos de Òrun Àiyé, em entrevista ao Bahia Notícias. Ele credita o desempenho da campanha à força do tema, e a maneira cuidadosa como as narrativas africanas tem sido abordadas no projeto, desde a repercussão positiva de uma arte em homenagem ao lendário desenhista norte-americano Jack Kirby, há alguns meses.
Foto: Reprodução / Facebook
Canuto recorda que a arte “The Orixas”, que remete a edição 04 da revista "Vingadores", também surgiu como uma forma de unir seus interesses por mitos e pela nona arte. Na época ele vivia em São Paulo, e viu seu trabalho ganhar destaque nos meios de comunicação. “Diante da repercussão, e por se tratar de um tema que precisava de cuidado, optei por voltar a Salvador. Se me proponho a fazer uma história que envolva narrativas ligadas a cultura afro-brasileira, ao candomblé e a religiões de matrizes africanas, eu acho que preciso estar aqui para pesquisar e conversar com as pessoas ligadas a ele. Primeiro, para pedir autorização, como fiz, procurando fazer um trabalho que honre essa cultura", explicou.   Ao Bahia Notícias, Canuto adiantou que a edição, com 80 páginas, formato americano e material extra, como esboços e artes de ilustradores convidados, contará com duas histórias e será focada na saga de Xangô. “Ele foi um rei que existiu, o terceiro rei da dinastia de Òyó. -  conta. De acordo com o autor, dentro dessa narrativa existem passagens que remetem aos Itan e aos encontros de Xangô com Oxum e Iansã. “Algumas histórias dos Orixás são curtas, muitas vêm da tradição oral. Se fossem adaptadas diretamente, dariam umas cinco páginas", salienta.  
Foto: Tiago Dias / Bahia Notícias
Contudo, é importante salientar que Canuto não está sozinho nessa empreitada. Para manter o projeto sem que ficasse sobrecarregado entre as funções de criação e divulgação, o ilustrador convidou o também baiano Pedro Minho (que trabalha com animação) e o arte-finalista Marcelo Kina trabalha como Coordenador Reticulista na Maurício de Sousa para colaborar no processo. "Chamei pessoas que além de serem muito boas no que fazem, também são boas de prazo. Fiquei bem preocupado com isso. Eu farei o roteiro e o lápis da história e o Marcelo vai arte-finalizar algumas páginas, enquanto o Pedro vai pinta-las. Mas, como são muitas páginas, é possível que eu acabe fazendo junto com eles", revela.   Além das páginas do romance ilustrado, Canuto acredita que seu trabalho precisa render algum retorno social. Dessa forma, o artista procurou a instituição Ilê Aiyê para, junto com a entidade, desenvolver e criar uma oficina voltada à produção de quadrinhos para jovens do bairro da Liberdade. “Eu fui lá, conversei com Vovô do Ilê [fundador do bloco], conversei com Vivaldo [Benvindo dos Santos, fundador e Diretor do Ilê] e propus uma oficina para as crianças em outubro. Eu estava na correria por causa da campanha, mas me comprometi a retornar para uma conversa. Ontem [na última segunda-feira,16], eu estive com Val Benvindo, que é filha de Vivaldo, e batemos um papo. Vamos fazer ainda esse ano, acho que depois do carnaval”, disse.  
Foto: Reprodução / Catarse
A iniciativa ainda está em fase de organização, mas possivelmente contará, a princípio, com uma oficina com princípios de desenho e cores para crianças até 12 anos, e uma outra voltada para quadrinhos com jovens a partir dos 14 anos. “Tenho procurado trabalhar com comunidades e terreiros porque esse é projeto é sobre uma cultura comum a todos nós, baianos. Por exemplo, tem um terreiro, o ‘Vintém de Prata’, que fará um evento agora em fevereiro e nós faremos uma parceria. Nossas artes entrarão em um leilão para eles arrecadarem”, acrescenta.     Extraído do site de notícias BN Bahia Notícias / Salvador – BA http://www.bahianoticias.com.br/cultura/noticia/26832-apos-financiamento-coletivo-ilustrador-baiano-lanca-hq-inspirada-em-orixas-ate-agosto.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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