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Arcebispo do DF envia carta de apoio a terreiro de candomblé incendiado

Em texto, dom Sérgio da Rocha diz repudiar ataque às religiões africanas.
Chamas atingiram terreiro em novembro; Rollemberg anunciou delegacia.

Do G1 DF | 17/12/2015 19h55 – Atualizado em 17/12/2015 19h55

 

 

Ruínas de terreiro de candomblé incendiado no Paranoá, no DF, em novembro (Foto: Toninho Tavares/GDF)
Ruínas de terreiro de candomblé incendiado no Paranoá, no DF, em novembro (Foto: Toninho Tavares/GDF)

O arcebispo metropolitano de Brasília, dom Sérgio da Rocha, enviou uma “carta de solidariedade” à administradora do terreiro de candomblé Axé Oyá Bagan, destruído por um incêndio no fim de novembro. A mensagem é endereçada a Adna Santos, ou Mãe Baiana, e foi assinada na última segunda (14), “em nome da Igreja Católica”.

 

No texto, dom Sérgio diz que a religião cristã “repudia atentados contra a liberdade religiosa e a destruição de templos e símbolos religiosos, defendendo o direito à manifestação religiosa, assegurado pela Constituição Brasileira.” O arcebispo termina a mensagem desejando “a paz, dom de Deus e fruto da Justiça”.

O incêndio no terreiro é investigado pela Polícia Civil, e há suspeita de que as chamas tenham sido provocadas. O incêndio começou às 5h30, quando seis pessoas dormiam no local. Ninguém ficou ferido, mas o barracão de madeira foi completamente destruído pelas chamas.

Carta enviada por arcebispo de Brasília, dom Sérgio da Rocha, a Mãe Baiana (Foto: Reprodução)
Carta enviada por arcebispo de Brasília, dom Sérgio da Rocha, a Mãe Baiana (Foto: Reprodução)

Contra o preconceito
No dia seguinte ao incêndio, o governador Rodrigo Rollemberg anunciou a criação de uma delegacia específica para apurar crimes de preconceito, racismo e intolerância. O chefe do Executivo também determinou à Polícia Civil e ao Corpo de Bombeiros que tratem como prioridade a investigação. O laudo da perícia deve sair em até 30 dias.

O terreiro é conhecido como Casa da Mãe Baiana e fica em uma chácara no Núcleo Rural Córrego do Tamanduá, entre o Paranoá e o Lago Norte. Ele recebia 50 pessoas por semana. O fato foi denunciado por meio do Disque 100, canal da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

“Chamei os meninos que estavam dormindo e a gente foi pegar água nas caixas d’água para apagar, mas aí o fogo invadiu. Esse fogo foi de fora para dentro. É a intolerância religiosa, mais uma vez, dentro de Brasília e nós precisamos tomar uma providência imediatamente, não podemos deixar mais”, afirmou Adna Santos, a “Mãe Baiana”, na época do ocorrido.

Governador do DF, Rodrigo Rollemberg, e Mãe Baiana entre ruínas de terreiro de candomblé incendiado no Paranoá (Foto: Toninho Tavares/GDF)
Governador do DF, Rodrigo Rollemberg, e Mãe Baiana entre ruínas de terreiro de candomblé incendiado no Paranoá (Foto: Toninho Tavares/GDF)

Outros casos
O Núcleo de Enfrentamento à Discriminação (NED) do Ministério Público acompanha a apuração. Segundo o MP, nenhum caso do tipo foi registrado no DF nos últimos três anos. Em setembro, dois templos de religiões de matriz africana foram incendiados em Águas Lindas e Santo Antônio do Descoberto, no Entorno. Dossiê do GDF aponta 13 casos do tipo neste ano.

“Quando, em outros países, se incendeiam igrejas cristãs e cristãos são degolados, entendemos que isso é inaceitável. Aqui no Entorno os mesmos atos de intolerância religiosa são praticados contra templos de religião de matriz africana. Os recentes atentados terroristas na França possuem a mesma raiz de intolerância religiosa. Não podemos admitir que a intolerância vença a democracia”, diz o coordenador do NED e promotor de Justiça Thiago Pierobom.

Denúncias sobre atos de intolerância religiosa, racismo, xenofobia e outros tipos de discriminação podem ser encaminhadas à ouvidoria do MPDF, pelos números 127 ou 0800-644-9500, ao Disque 100 ou ao Disque Racismo, no 156, opção 7.

Incêndio em terreiro de Candomblé, em Brasília (Foto: Polícia Militar/Divulgação)
Incêndio em terreiro de Candomblé, em Brasília (Foto: Polícia Militar/Divulgação)

 

 

 

Extraído do portal de notícias G1 / Distrito Federal
http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2015/12/arcebispo-do-df-envia-carta-de-apoio-terreiro-de-candomble-incendiado.html

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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