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Arte negra revela sua face

Sexta-feira, 06/03/2015, 07h05

 

 

 

Belém vive nesta semana uma overdose especial de eventos, exposições, encontros, oficinas e muitas outras formas de olhares artísticos, todos vindos da mesma matriz: a cultura e estética negra.

E a notícia boa é que o que já começou essa semana deve se estender ao longo do mês de março. Hoje, o Centro Cultural do Carmo inicia a programação da mostra “Banquete Brasil África”, que segue até o dia 28 de março trazendo todas as sextas-feiras do mês uma programação especial, dando espaço para artistas dialogarem com público sobre a africanidade que formou a cultura brasileira, suas energias, memórias

Dois eventos destacam a produção de origem afro-brasileira no Pará
Dois eventos destacam a produção de origem afro-brasileira no Pará

poéticas e sagradas. Já o projeto “Face Negra Face”, contemplado em 2014 com o Prêmio Afro 2014, permite experimentar isto tudo na prática.

“O objetivo é pautar na sociedade essa discussão sobre cultura afrobrasileira, desvinculando-a do mês de novembro, mês da Consciência Negra, porque essa cultura é parte de nós durante todo o ano. O “Banquete Brasil África” é um verdadeiro kizomba, uma grande reunião onde artistas de diversas linguagens podem conectar o púbico nesses cotidianos, nessas memórias que temos todos os dias e não percebemos que vem da África”, explica Laurenir Peniche, produtora da mostra.

O nome é sugestivo e se configurou desta forma pela diversidade de expressões artísticas oferecidas ao longo da programação. “É um banquete de iguarias artísticas que se inicia com a exposição de Maurício Franco e segue ao longo do mês com destaque para a estreia do documentário ‘Nós Quilombolas da Amazônia’, a participação de músicos eruditos e populares e performances teatrais vinculadas à memória estética africana.

A proposta é desmistificar essa ideia de uma África distanciada de nós. É mostrar um pouco da verdadeira contribuição do negro à cultura brasileira e também amazônica, que vai da gastronomia à religião, passando pelas artes”, completa.No vernissage da primeira exposição individual do artista visual Maurício Franco, chamada “Recanto”, o que se verá são os retratos de orixás que o artista produz, personificando as entidades em diversos suportes, entre os quais a sucata, o papel e a tela.

Nessa mesma noite, a mostra também recebe a atriz Rosileine Cordeiro, numa performance no espaço místico construído por Maurício, ao som da voz e do batuque dos artistas Jeferson Moraes e Maércio Monteiro.

“Esta exposição me remete a um momento especial na minha história, uma volta ao ninho, à infância com minha mãe Dona Jacydia Salgado. Desta forma, faço um traço entre o início de tudo da minha vida e da própria umbanda, com os orixás”, explica o artista.

SEXTAS DE ÁFRICA

Na próxima sexta-feira, 13, acontece o lançamento do documentário “Nós Quilombolas da Amazônia”, resultado das atividades desenvolvidas pelo projeto homônimo que foi premiado no “III Ideias Criativas”, alusivo ao Dia Nacional da Consciência Negra, da Fundação Cultural Palmares. Produzido por 25 jovens quilombolas do município de Acará, em novembro do ano passado, o documentário revela as histórias do lugar. Na sexta-feira, 20, a “Noite Negra” reúne os poetas Antônio Moura e Nilson Oliveira e os músicos Edelmiro Soares e Handerson Barboza para um sarau afro-brasileiro.

Maurício Franco volta à mostra com a performance “Tatuagem na Tela”, pintando ao vivo, inspirado pelo momento. O último encontro da mostra será em homenagem ao Dia Mundial do Teatro, celebrado em 27 de março, com apresentação do espetáculo de bonecos “A Batalha”, com manipulação de Juliana Medeiros, Maurício Franco e do bonequeiro Jeferson Cecim. A noite se encerra com a performance “Um Canto para Oxum”, com Pauli Banhos, Pedro Olaia e Roberta Costa.Por direitos iguais na arte Durante toda esta semana, o projeto “Face Negra Face” promoveu oficinas sobre “Percussão e Expressão Africana”, ministrada por Zumbi Bahia e Dionisio Filho, e “Teatro de Performance Negra”, com Ana Miranda.

Os resultados desses exercícios de reflexão e estética sobem ao palco do teatro Waldemar Henrique amanhã para apresentar uma versão de “Auto da Compadecida” de Ariano Suassuna e outras performances, tudo para engrossar o bate-papo que os artistas oferecem ao analisar temas como a estética negra no cenário artístico nacional e afroamazônico, entre outras questões, a partir das experiências dos próprios, que dialogam em suas produções com elementos da cultura afro-brasileira.

“Utilizando todas as técnicas que trabalhamos ao longo da semana, faremos essa releitura do trabalho de Ariano Suassuna para mostrar que o ator negro pode fazer qualquer papel e qualquer releitura, até Romeu e Julieta se quiser”, explica a diretora paraense Ana Miranda, que se orgulha de suas raízes e visa ajudar seus alunos a desmistificarem essas questões estéticas que ainda envolvem com muito preconceito os artistas negros no Brasil.

“O que importa aqui é como eles vão aplicar o que aprenderam e fazer essa releitura com referências na cultura afro-brasileira. Sou cria do movimento negro e, aos 17 anos, fui para São Paulo fazer minha formação de atriz, mas nunca perdi minha referência. Não acho que a gente precise embranquecer nem alisar o cabelo para ser aceito. O que a gente precisa é que os autores pensem em personagens que coloquem o negro em outros locais que não sejam o de papéis de empregado doméstico, mas também da família rica, afinal, na nossa sociedade, estamos em todos esses lugares”, completou a atriz e diretora, que já fez papéis na Rede Globo em novelas como “Malhação” e no programa “Linha Direta”.

O evento, além de apresentar o resultado das oficinas, oferecerá ainda um coquetel de gastronomia africana com direito a acarajé, abará e outras delícias, tudo para que a imersão seja completa.

Banquete Brasil África

Quando: Hoje, às 16h

Programação: Exposição “Recanto”, de Maurício Franco, performance de Rosilene Cordeiro e show de Jeferson Moraes e Maércio Monteiro

Visitação à exposição: De segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 15h às 18h, e aos sábados, das 9h às 13hQuanto: Entrada franca

banquetes

Dia 13 – Lançamento do documentário “Nós Quilombolas da Amazônia”

Dia 20 – “Noite Negra – Sarau de Poesia e Música Negra”

Dia 27 – Teatro de bonecos “A batalha” e performance “Um Canto pra Oxum”

SERVIÇO

Apresentação do resultado das oficinas “Face Negra Face”

Quando: Amanhã, às 19h

Onde: Teatro Waldemar Henrique (Praça da República)

Quanto: Entrada franca

(Diário do Pará)

 

Extraído do site do Jornal do Pará
http://www.diariodopara.com.br/N-184827-ARTE+NEGRA+REVELA+SUA+FACE.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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