Artista apresenta série inspirada em folhas do candomblé

Divulgação Os 12 orixás estão representados na exposição

Daniela Castro | Qua, 06/05/2015 às 07:13

 

 

Divulgação Os 12 orixás estão representados na exposição
Divulgação
Os 12 orixás estão representados na exposição

Alexandre Mury já colocou seu corpo performático a serviço de representações de símbolos de religiosidade, como o Cristo Redentor, Shiva e diversos santos católicos. Agora, o artista plástico fluminense traz para Salvador o resultado de sua incursão pelo mundo do candomblé.

Exu, Ogum, Xangô, Iansã, Oxumaré, Oxum, Oxóssi, Ossanha, Obaluaê, Nanã, Iemanjá e Oxalá são tema de O Catador na Floresta de Signos, exposição que ganha inauguração amanhã, na Roberto Alban Galeria. A mostra segue em cartaz até 6 de junho.

“As outras releituras eu fui fazendo aos poucos e com certa dose de humor. Tem gente que arrisca dizer que meu trabalho era debochado, irreverente. No caso dos orixás, já pensava em uma série que representasse o panteão. E dessa vez considero um trabalho reverente”, assinala Mury.

Sem folha, sem orixá

Entendida a vontade de mergulhar nesse universo como algo “irrefreável”, faltava definir o recorte a dar. A decisão veio durante uma visita à feira de São Joaquim. “Me encantei com as plantas e logo lembrei do ditado ‘Sem folha não tem orixá'”, ele conta.

Sendo assim, são as folhas que estão em primeiro plano nas fotografias em que o suporte é o próprio corpo de Alexandre Mury. “Não me interessava a ritualística. Busquei informações sobre a mitologia e os arquétipos. A intenção não era incorporar o orixá, era construir a presença de suas folhas junto ao meu corpo”, explica.

A experiência resultou em 16 autorretratos coloridos com dimensão de 1,00 m x 0,66 m, que retratam 12 orixás e os quatro elementos da natureza (fogo, água, terra e ar).

Todas as fotografias são de busto. A única exceção é inspirada em Ossanha, cuja representação aparece de corpo inteiro. “É o grande homenageado por ser o orixá das folhas”, justifica o artista.

Lição filosófica

Para consolidar o trabalho, o artista fluminense passou uma temporada em Salvador, em uma espécie de laboratório. Se nada mudou em relação à crença religiosa, algo mudou na concepção filosófica.

“O ganho foi ter conseguido me desprender um pouco do pensamento maniqueísta. E acredito que a arte, ao se envolver nesse universo, pode contribuir poeticamente até para a diminuição do preconceito”, avalia.

 

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador – BA
http://atarde.uol.com.br/cultura/exposicao/noticias/1678630-artista-apresenta-serie-inspirada-em-folhas-do-candomble-premium

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