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Casa França-Brasil reúne artistas na exposição Orixás no próximo sábado

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painel_carybe3painel_carybeEm setembro de 1990, a Casa França-Brasil, recém-inaugurada como centro cultural, realizou a exposição “Retratos da Bahia” com fotografias de Pierre Verger, desenhos de Carybé e esculturas de arte africana das coleções particulares dos dois artistas. Ao investigar o modo como a afro-brasilidade se manifesta na arte e na religião, “Orixás” pretende ser um exercício de revisão histórica daquela exposição, promovendo releituras entre a produção moderna e a contemporânea.

 

O tema da afro-brasilidade é explorado a partir de diversas perspectivas no contexto artístico brasileiro. Aspectos da ancestralidade e da religiosidade africanas muitas vezes aparecem aliados a questões como identidade, representação e condições socioculturais. O fascínio moderno pela cultura afrodescendente produziu debates importantes sobre patrimonialização e reconhecimento das religiões não ocidentais, embora a relação com sua cultura material estivesse frequentemente ancorada em premissas colonizadoras.

painel_carybe2No Brasil, a influência do candomblé na produção artística produziu obras como os painel-carybe4romances Jubiabá e Bahia de Todos os Santos, de Jorge Amado, o longa Barravento, de Glauber Rocha, o Teatro Experimental do Negro, encabeçado por Abdias Nascimento, o álbum Afro-sambas, de Baden Powell e Vinícius de Morais e as obras de Pierre Verger, Carybé, Rubem Valentim e Mestre Didi, apenas como exemplos. Mestre Didi, concomitantemente artista e sacerdote, tornou indefiníveis as fronteiras entre arte contemporânea e arte popular. Paralelamente a isso, o candomblé seguia enfrentando sua condição de ilegalidade, sofrendo perseguição política e social, inclusive por parte do Estado por meio de seus aparelhos repressores e do uso da violência.

O século XXI trouxe novas abordagens. Embora a religião continue sendo alvo de ataques e intolerâncias, os terreiros e as casas religiosas de matriz africana vivem um processo de luta pela legalização, reconhecidos como detentores de cultura, identidade e fé. Artistas contemporâneos como Ayrson Heráclito, Arjan Martins, Tiago Sant’Ana, Dalton Paula e outros seguem reconfigurando heranças afro-brasileiras, assumindo hibridismos e contaminações. Com ampliadas recodificações, hoje, a afro-brasilidade nos faz ultrapassar a fronteira popular/erudito ao observarmos obras como as de Heitor dos Prazeres, Maria Auxiliadora, Louco e Chico Tabibuia.

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Nessa rede, “Orixás” vai além do contexto baiano, aproximando trabalhos de temporalidades distintas, pretendendo provocar novas leituras sobre aspectos da cultura afro-brasileira. Candomblé, sincretismo e arte popular são abordados a partir do universo dos orixás, com peças de instituições e coleções particulares de Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro.

ayrson-heraclito2-copia“Orixás” marca, para a Casa França-Brasil, a possibilidade de adensar-se em um debate, no ayrson-heraclitoqual a ancestralidade sobrevivente de tantas diásporas, resultantes da escravidão (a violência, a desigualdade), possa ser transformada em clamor, cânticos e palavras de fé, proteção e bons presságios. Os brasileiros são renomeados, ganham amuletos, mantêm intensa relação com a África, reconhecem pais ancestrais, adornam-se, ficam odara e trazem a beleza não como uma condição colonialista a ser alcançada em modelos inacessíveis, mas como uma dádiva a ser partilhada, um “axé”. O candomblé configura na arte e na sociedade brasileiras um dos mais importantes momentos de reconfiguração simbólica, em que formas, cores e elementos são lançados, jogados, festejados, experimentados. E a força desse “emi”, do ar emitido pelo corpo, nos faz tecer elos que atravessam oceanos para reafirmar uma simples e, talvez, primeira condição humana: saber que não estamos sós.

 

 

Serviço

Curadoria: Marcelo Campos
Projeto Expográfico: Helio Eichbauer

Artistas participantes:
Adalton Fernandes Lopes
Arjan Martins
Artur Barrio
Arthur Scovino
Ayrson Heráclito
Bruno Vilela
Chico Tabibuia
Crisaldo Morais
Dalton Paula
Efrain Almeida
Guy Veloso
Heitor dos Prazeres
José Medeiros
Lita Cerqueira
Louco
Louco Filho
Maria Auxiliadora
Mario Cravo Neto
Mestre Didi
Pedro Marighella
Ronald Duarte
Ronaldo Rego
Rubem Valentim
Thiago Martins de Melo
Tiago Sant’Ana
Tina Velho
Virgínia de Medeiros
Wuelyton Ferreiro

24 de Setembro a 23 de Outubro

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Casa França-Brasil
Rua Visconde de Itaboraí, 78 – Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20010-060
Funcionamento: 3ª a dom, de 10h às 20h
Abertura: 17h
Entrada Franca

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Fonte: ASCOM Casa França-Brasil

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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