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Associação de artistas plásticos busca apoio para projetos de reafirmação da identidade afro-brasileira

“Somos negros todos os dias”, afirma presidente da Onipé Eró sobre dia da Consciência Negra

16.11.2013 | Atualizado em 16.11.2013 – 13:39

 

 

Carla Trabazo

Buscando definir o conceito do que seria a manifestação da arte afro brasileira, onze artistas plásticos se reuniram em 2010 para formar a Associação Afrobrasileira de Artistas Plásticos, também chamada de Onipé Eró, uma expressão em iorubá para “defensor da arte”.

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Jone Santos, presidente da Associação desde 2010.

“Com a associação, buscamos defender o artista afro brasileiro. Resgatamos a expressão dessa arte e a divulgamos na cidade. No entanto, o apoio é extremamente precário, quase inexistente e temos que cuidar uns dos outros”, explica o presidente da associação Jone Santos, que além de artista plástico, atua na área de design e estamparia.

De acordo com Jone, a Onipé Eró promove seminários, debates, exposições e, ainda, realiza projetos de arte educação nas escolas, buscando trazer a cultura afro brasileira para a população. O projeto Indústria de Carnaval, por exemplo, ensina em oficinas de estamparia e design os jovens a serem autossustentáveis e produzirem o que necessitam nos blocos afros sem apoio.

“É imprescindível que um país apoie a arte, mas isso não acontece aqui. Temos mais de 50 entidades entre blocos e afoxés que deveriam ter incentivo, mas o Estado ignora essa importância. Eles são a representação da arte afro brasileira em Salvador. Mas ninguém sabe disso porque as entidades não são divulgadas”, conta, indignado, Jone.

O artista plástico comenta, ainda, que o dia da Consciência Negra “deveria ser todos os dias, um trabalho contínuo, de mais valorização. Somos negros todos os dias”. Em consideração à data, Jone e outro artista plástico da associação, Lucas Batatinha, levaram sua exposição “Áfricas” à Casa do Benin, no Pelourinho. Os quadros pintados são um registro das artes plásticas e visuais dentro da indústria do carnaval, inspiradas em designs de estamparia e com destaque para a cultura do Benin.

A exposição, assim como a Onipé Eró, busca reafirmar a identidade afro brasileira, utilizando-se de muitas cores e arte geométrica, com presença forte de elementos de Orixás. “Sou inspirado pela religiosidade dos Orixás. Eu acho lindo, é meu encantamento, é o que me emociona”, revela Jone.

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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