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Associação de Mídia Afro emite nota de repúdio ao Fantástico sobre reportagem de tráfico de animais

Texto: Sérgio d´Giyan 05.12.2016 10:44

 

Veiculado neste último domingo (4), a reportagem do jornalista Edson Ferraz, intitulada  “Veja caça aos dez maiores traficantes de animais silvestres do Brasil”, onde faz alusão ao fato de que um suposto Pai de Santo teria adquirido duas cobras, ilegalmente, enviadas através dos Correios, sob a suspeita de serem sacrificadas. A ANMA – Associação Nacional de Mídia Afro, através de seu presidente Marcio de Jagun, emitiu um ofício à redação do programa prestando esclarecimentos sobre a tradição da cultura e da religiosidade afro-brasileira quanto a liturgia envolvendo a relação do Candomblé e ao culto ao orixá representado por uma cobra, repudiando assim elementos que compuseram tal reportagem.

 

Para assistir ao programa do Fantástico que ocasionou a interferência da Associação, acesse o link abaixo:

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2016/12/veja-caca-aos-dez-maiores-traficantes-de-animais-silvestres-do-brasil.html

 

Leia na íntegra a carta emitida pela ANMA:

Logo ANMA_vetor_curvas

“Rio de Janeiro, 05 de dezembro de 2016.

 

Ao

Diretor de Jornalismo do Fantástico

Sr. Luiz Nascimento

 

Prezados Senhores,

O jornal televisivo Fantástico, na edição do dia de 4/12/16, veiculou matéria intitulada:“Veja caça aos dez maiores traficantes de animais silvestres do Brasil” (http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2016/12/veja-caca-aos-dez-maiores-traficantes-de-animais-silvestres-do-brasil.html). Ocorre que a referida reportagem fez alusão ao fato de que um suposto Pai de Santo teria sido receptor de duas cobras (8:36’min.) ilegalmente remetidas pelos Correios, com a suspeita de que os referidos animais viriam a ser sacrificados. Vale dizer que o importante trabalho realizado pelo jornalista Edson Ferraz, ganha aqui contornos sensacionalistas, inclusive, com a imagem de um jogo de búzios, completamente fora do contexto.

No tocante ao caso, cumpre-nos esclarecer:

1 – As Religiões de Matrizes Africanas, há cerca de 10 mil anos, preservam e cultuam as expressões da natureza, inclusive aquelas existentes na fauna e flora, nas quais reconhecem a presença divina. Por isso, o respeito às mesmas significa o sentido de sua própria religiosidade;

2 – Não há sacrifício de qualquer espécie de ofídios, em nenhum rito tradicional das Religiões de Matrizes Africanas. Frise-se,que nos cultos originários das etnias ewe/fon (Nação Jeje), a píton realé, inclusive,o símbolo de uma divindade – Dan – sendo por isso sacralizada;

3 – Nas suas práticas rituais e litúrgicas, as Religiões de Matrizes Africanas e seus sacerdotes não praticam e não aceitam procedimentos que descumpram a legislação.

Distorções como estas apontadas no aludido programa, podem ser perigosos instrumentos do preconceito e da intolerância religiosa, que tanto precisamos abolir de nossa sociedade.

Diante do exposto, solicitamos que tais esclarecimentos sejam devidamente levados a público, no mesmo horário, tempo e programa.

A ANMA – Associação Nacional de Mídia Afro, tem por finalidade esclarecer as práticas religiosas e princípios teológicos das Religiões de Matrizes Africanas nos veículos de comunicação. Razão pela qual, ficamos ao inteiro dispor para quaisquer explicações que se façam necessárias.

Atenciosamente,

Márcio de Jagun

Presidente”

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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