Breaking News

Ato em Brasília repudia ataques a templos de matriz africana

Representantes de religiões de matrizes africanas repudiaram os recentes ataques a terreiros de candomblé em Brasília e nas cidades localizadas no entorno da capital federal. O ato foi realizado neste sábado (28), no Distrito Federal. 

29 de novembro de 2015 – 8h34

 

 

Internet Barracão do terreiro Ilê Axé Oyá Bagan foi destruído 
Internet
Barracão do terreiro Ilê Axé Oyá Bagan foi destruído

 

Na madrugada do dia 27, um incêndio destruiu o barracão onde se reúnem os membros do terreiro Axé Oyá Bagan no Núcleo Rural Córrego do Tamanduá, no Paranoá (DF). Os crimes estão sob a investigação do Ministério Público e Polícia Civil.

O Núcleo de Enfrentamento à Discriminação do MP do DF abriu processo administrativo para apuração do incêndio no terreiro de Ylê Axé Oyá Bagan, dirigido por Mãe Baiana.

Em 2015 aconteceram mais de 10 crimes contra centros religiosos de matrizes africanas no Distrito Federal, de acordo com dados da Coordenação Especial da Promoção da Igualdade Racial (Sepir).

Em meio a pedaços de madeira queimada e instrumentos musicais destruídos, os membros do terreiro se reuniram para afirmar que não vão tolerar os atos de vandalismo. Em três meses, este foi o quinto ataque a templos de religiões africanas no Distrito Federal e no entorno.

O ato teve a presença de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no DF (OAB-DF)  e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

Para o ouvidor da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) da Presidência da República, Carlos Alberto de Souza, esse tipo de crime não pode ser considerado somente como dano patrimonial, porque, além dos danos nas instalações físicas, todos os objetos ligados à religiosidade são destruídos.

“Nosso país é laico. Não pode interferir nas religiões, mas também não pode embaraçá-las. É importante que o Estado olhe para isso, sobretudo com políticas públicas para a comunidade, porque aqui tem ancestralidade sendo posta, não é somente uma questão de religião. Tem uma cultura que deve ser preservada e não pode ser alvo de violência. É algo assustador e a gente precisa reagir”, disse.

Na avaliação da presidenta da Fundação Cultural Palmares, Cida Abreu, o  que está em discussão é a negação de um patrimônio ancestral do Brasil.

“A gente entende que é um movimento recorrente. O Estado brasileiro e o governo têm que tomar uma atitude. Qualquer religião brasileira tem direito de ser resguardada pela segurança nacional, e o terreiro também tem que ser. A gente vem aqui para reafirmar a importância de reconhecer esta religião como outra qualquer”, disse a presidenta.

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) registrou 462 casos de intolerância religiosa contra pessoas ligadas à religiões africanas entre 2011 e 2014, por meio do serviço telefônico Disque 100. Para entrar em contato com a central de atendimento e denunciar violações de direitos humanos basta ligar gratuitamente para o número 100.

Leia também:
Ataques em São Paulo e no Distrito Federal apontam para intolerância 
do Portal Vermelho com informações da agência Brasil

 

Extraído do site do Portal Vermelho.org / São Paulo – SP
http://www.vermelho.org.br/noticia/273430-8

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *