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Autoridades brasileiras investigam intolerância dos media a religiões de matriz africana

Actualizado ontem, às 06:03

Lusa

 

Autoridades brasileiras investigam intolerância nos media e nas redes sociais da internet contra religiões de matriz africana, praticadas no Brasil por 600 mil pessoas, segundo o último censo populacional, de 2010.

Um dos processos em São Paulo terminou na condenação de duas emissoras de televisão, a Rede Record e a Rede Mulher, a veicularem programas como direito de resposta, segundo decisão divulgada na última terça-feira pela Justiça. As estações de televisão ainda podem recorrer.

Na decisão, o juiz transcreve trechos de relatos do que foi veiculado nas emissoras, com palavras de pessoas convertidas à Igreja Universal do Reino de Deus e ex-adeptas a religiões afro-brasileiras, que eram tratadas como “ex-bruxas” e acusadas de terem servido a “espíritos do mal”.

O procurador Jefferson Dias, há seis anos na Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão de São Paulo, afirmou que percebeu um aumento no número dos casos de intolerância, tanto na televisão, como nas redes sociais na internet, contra religiões afro-brasileiras e ateus.

“Na televisão, a intolerância tem mais repercussão”, afirmou Dias, que defendeu o direito de resposta como uma opção melhor ao pedido de indemnização, por “ajudar a abrir um espaço de defesa da liberdade de crença e não crença”.

Dias atribuiu o aumento dos casos de intolerância ao controle de emissoras por religiões e a transferência do que se dizia no altar, ou no púlpito, para a televisão. A Rede Record, por exemplo, é propriedade de Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus.

Sobre as ofensas nas redes sociais, o procurador atribuiu-as a uma “falsa sensação de anonimato”.

Investigador do Museu Afro Brasil, Renato Araujo afirmou que a intolerância se manifesta em função de uma “ignorância geral” e de um “desinteresse” em conhecer a mitologia e a religiosidade africana.

“A televisão é uma concessão pública, e é uma violência ter uma emissora que afirme coisas completamente negativas em relação à religiosidade, que é algo particular”, disse.

O investigador, que é ateu, afirmou que as divindades do candomblé têm relação com as divindades gregas, que não são alvo de preconceito, e que os orixás são os ancestrais mais antigos de um povo, e não têm a conotação negativa que lhes é atribuída por outras religiões.

Diretor presidente do Centro Cultural Africano e sacerdote do Culto de Ifá, Otunba Adekunle Aderonmu afirmou que o respeito é essencial para que haja paz.

“Independentemente de região, temos de ter harmonia. E a religião deve ser algo que ensina par ao ser humano a forma de chegar a Deus. Precisa de entendimento e respeito”, disse.

A Lusa contactou a Rede Record, cujo grupo englobava a extinta Rede Mulher, mas não obteve resposta.

A Igreja Universal do Reino de Deus disse que não comentava o processo judicial por não estar envolvida nele, e que “respeita todos os fiéis de todas as religiões, em cada um dos mais de cem países onde está presente”. A Igreja disse aguardar “apenas igual tratamento” em relação às suas crenças.

 

Extraído do site do Jornal DN Diário de Notícias / Funchal – PT
http://www.dnoticias.pt/actualidade/mundo/517426-autoridades-brasileiras-investigam-intolerancia-dos-media-a-religioes-de-ma
 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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