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Babalorixá Jorge de Ogunjá é condecorado com Comenda em Nilópolis

O Babalorixá Jorge D’Ogunjá, sacerdote do Ilê Axé D’Ogunjá e presidente do CIAFRO, entidade do movimento de cultura afro-brasileira foi condecorado durante a Posse do Conselho de Cultura do município de Nilópolis, recebendo das mãos do prefeito Alessandro Calazans a “Comenda Nilo Peçanha” por serviços prestados em prol da cultura afro-brasileira e dos povos e comunidades de matriz africana através dos projetos do CIAFRO na região.

O que é uma comenda? é uma condecoração dada por uma autoridade de alto escalão a uma personalidade que tenha contribuído em algum setor da sociedade civil, trata-se então de um reconhecimento pelo seu trabalho e pela sua obra.

A Comenda é uma homenagem a Nilo Peçanha nascido em 2 de outubro de 1867, em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro. Assumiu a Presidência da República após o falecimento de Afonso Pena, em 14 de junho de 1909 e governou até 15 de novembro de 1910.

Peçanha foi descrito como sendo mulato e era frequentemente ridicularizado na imprensa em charges e anedotas que se referiam à cor da sua pele. Durante sua juventude, a elite social de Campos dos Goytacazes chamava-o de “o mestiço de Morro do Coco”.

Em 1921, quando concorreu à presidência da República como candidato de oposição, cartas atribuídas falsamente ao candidato governista, Artur Bernardes, foram publicadas na imprensa e causaram uma crise política pois insultavam o ex-presidente Marechal Hermes da Fonseca, representante dos militares.

Alguns pesquisadores afirmam que suas fotografias presidenciais eram retocadas para branquear sua pele escura. Alberto da Costa e Silva diz que Nilo Peçanha foi apenas um dos quatro presidentes brasileiros que esconderam os seus ancestrais africanos, sendo os outros Campos Sales, Rodrigues Alves e Washington Luís. Já o presidente Fernando Henrique Cardoso confirmou ser descendente de uma escrava.

Abdias Nascimento afirma que, apesar de sua tez escura, Nilo Peçanha escondeu suas origens africanas e que seus descendentes e família sempre negaram que ele fosse mulato.

Casou-se com Ana de Castro Belisário Soares de Sousa, conhecida como “Anita”, descendente de aristocráticas e ricas famílias campistas. O casamento foi um escândalo social, pois a noiva teve que fugir de casa para poder se casar com um sujeito pobre e “mulato”, embora político promissor.

Faleceu em 1924, no Rio de Janeiro, afastado da vida política e foi sepultado no Cemitério de São João Batista.

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Pai Jorge de Ogunjá recebendo a Comenda Nilo Peçanha das mãos do prefeito Alessandro Calazans
Foto: CIAFRO

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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