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Baianas evangélicas rebatizam o acarajé de “bolinho de Jesus”

Regras impostas pela prefeitura obrigam uso de roupa associada ao candomblé

por Jarbas Aragão | 7/12/2015 - 15:00 - Atualizado em 7/12/2015 - 15:21  
Baianas rebatizam o acarajé de "bolinho de Jesus"
Baianas rebatizam o acarajé de "bolinho de Jesus"
Quando a prefeitura de Salvador anunciou na quarta (2) as regras para a venda do acarajé em Salvador, houve comemoração por parte das tradicionais vendedoras do prato símbolo da cidade. Mas uma parcela está apreensiva com o que isso significaria. A presidente da Associação das Baianas de Acarajé, Rita Santos, explica que as vendedoras do quitute terão de trajar roupas típicas, ou seja, bata branca, camisa, short e lenço. Para as vendedoras que são evangélicas, isso é um problema sério, pois a indumentária é historicamente associada ao candomblé. Muitas igrejas protestantes da capital baiana são contra a regra e algumas já cogitam, inclusive, não vender mais acarajé. “Uma colega minha já desistiu do acarajé e vai vender outros lanches. Eu ainda não sei o que fazer”, disse ao jornal Folha de São Paulo a vendedora de acarajé Raimunda Borges Silva, 65. Ela explica que trabalha de camisa, short e lenço desde que se converteu há dois anos.  Ela trabalha com isso há 40 anos. A prefeitura alega a necessidade de preservar a tradição das baianas do acarajé. O bolinho é reconhecido como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico (Iphan) desde 2005. Para a secretária de Ordem Pública, Rosemma Maluf, as novas regras são necessárias. “Verificamos que havia muitos ambulantes vendendo o acarajé nas ruas de forma descaracterizada, de avental e camisa comum. Isso não é uma baiana, é só uma vendedora de bolinho frito”, enfatiza. A solução para algumas dessas baianas evangélicas foi rebatizar acarajé como “bolinho de Jesus”, evitando qualquer associação com a cultura afro-brasileira. A prefeitura acredita que a obrigação do uso das roupas tradicionais não é uma questão de religiosidade. “A fé é questão de foro íntimo, não é uma roupa que vai mudar a religião de ninguém”, afirma Rosemma Maluf. Já a baiana Júlia Rodrigues dos Santos, 59, explica que existe uma tradição que passa de mãe para filha. Ela, que é seguidora do candomblé, no início de cada dia prepara sete acarajés, assenta no chão e oferece aos “erês”, divindades que representam as crianças.   Extraído do site de notícias religiosas Gospel Prime https://noticias.gospelprime.com.br/evangelicas-acaraje-bolinho-de-jesus/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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