Baianidade é ouro: conheça 3 designers de joias que respiram a Bahia

Baianidade é ouro: conheça 3 designers de joias que respiram a Bahia

1 de agosto de 2018 0 Por Sérgio D`Giyan

Fé e natureza são pontos fortes das criações de designers de acessórios que levam a identidade baiana para o mundo

 

Leo Amaral e Paula Magalhães
leo.amaral@redebahia.com.br/ paula.magalhaes@redebahia.com.br

24.07.2018, 07:00:00

Atualizado: 24.07.2018, 13:11:56

 

Elas são inspiradas pela fé.  Carregadas no sincretismo,  pedem  licença aos  orixás e trazem a baianidade como identidade. Assim são as  joias assinadas por criadores da nossa terra que não fogem das suas origens e refletem a multiplicidade da rica cultura regional.

Ouro, prata e sementes se misturam nas mais belas formas, dando vida às preciosidades criadas por Marcela Cordier, Gabriela Lisboa e pelo Mago dos Metais.

O Museu de Arte da Bahia (MAB) abriu as portas, literalmente, para ser cenário deste editorial, transbordando opulência e magnitude. 

O olhar apurado do fotógrafo Lucas Assis, as roupas cheias de texturas da estilista Marcia Ganem e a maquiagem de Ricardo Brandão ajudaram a criar o clima de majestade que valoriza nossos talentos locais. Confira!

(Foto: Lucas Assis)

Força natural
A natureza sempre foi a inspiração de Gabriela Lisboa, 43. Por isso, confeccionar biojoias pareceu ser seu caminho profissional mais certo. A designer de joias faz bijuterias desde pequena. Usava como matérias-primas penas, sementes e resíduos naturais que colhia nas matas quando passava as férias em Ilhéus.

Aos 26 anos, fez o curso técnico de designer de joias no Instituto Gemológico da Bahia e enveredou oficialmente pelo ramo das biojoias. “Hoje atuo nas comunidades quilombolas do Baixo Sul junto com o Sebrae, desenvolvendo projetos de valorização da identidade do artesanato baiano”, explica Gabriela.

Uma constante no trabalho da designer é usar elementos do sincretismo e da força da mulher baiana. “Minha criação é orgânica, deriva das vivências. No momento, estou trabalhando numa  coleção inspirada em cestaria”, diz. Materiais que aparecem muito em suas peças são a palha e o coco de piaçava, um tipo de palmeira nativa da Bahia. Às interessadas, as compras podem ser feitas através do insta: @gabrielalisboaajoias.

(Foto: Lucas Assis)

Ancestralidade africana 
O casal de ourives, Daisy Santos, 30, museóloga, e Luiz França, 37, está por trás da marca O Mago dos Metais. Ela ajuda na administração, nas pesquisas e no atendimento. Ele materializa as peças. Chamado de autor de joias, Luiz faz tipo misterioso:  prefere não mostrar o rosto e está sempre usando a máscara tribal  nas fotos.

Tudo começou por uma questão de segurança, mas adquiriu um significado artístico também pelo desejo de que as obras se destaquem mais que o autor. “Luiz  trabalha com criação de joias há 10 anos. Quando trabalhava como auxiliar de serviços gerais em uma ourivesaria, teve a chance de  sentar na bancada e fazer a primeira peça”, conta Daisy.

Ele iniciou a carreira criando peças ligadas a símbolos do candomblé, sempre por encomenda. Mas, há 3 anos, o universo religioso se transformou no grande destaque da marca, que não lança  coleções especificas. As compras são feitas pelo instagram: @omagodosmetais. Whatsapp: 71 99304-1486.

(Foto: Lucas Assis)

A jovem acabou se profissionalizando em São Paulo, fez curso na Escola Pan-Americana de Artes e, quando voltou a Salvador, começou a tocar o novo negócio batizado de Cordier, sobrenome da avó, que adicionou ao seu nome. Fundada há um ano, a marca está na segunda coleção, cujo nome é Bahias.Esplendor Sagrado
Ela descobriu a profissão da forma mais prosaica possível: assistindo a novela das 21h. “Sempre gostei de arte e desenho, mas a profissão de designer  de joias só  surgiu quando já cursava engenharia civil. Assistindo à novela global Império, em 2014,  tive o despertar”, explica Marcela Pereira, 23 anos.  

“Tinha vontade de criar peças inspiradas na nossa cultura. Pesquisei bastante e escolhi focar em três inspirações: capoeira, samba de roda e candomblé”, conta Marcela. A designer chegou a fazer uma imersão no Recôncavo para viver mais intensamente o que pretendia representar nas peças. Tudo é feito em ouro e a comercialização acontece pelo instagram: @cordierjoias.

 

Extraído do site do Jornal Correio 24 Horas / Salvador – BA
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/baianidade-e-ouro-conheca-3-designers-de-joias-que-respiram-a-bahia/