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Balé Teatro Guaíra faz abertura da Mostra Brasileira de Dança

Apesar de instabilidade, o grupo paranaense apresenta na sexta (29) no Recife dois espetáculos: Orikis e Trânsito

Publicado em 28/07/2016, às 06h01

 

Cena de Trânsito, espetáculo do grupo Guaíra Cayo Vieira/Divulgação
Cena de Trânsito, espetáculo do grupo Guaíra
Cayo Vieira/Divulgação

JC Online

A relação de homens com deuses, através da imagem dos orixás, e o intercâmbio e movimento de culturas distintas investigados através do corpo e dos gestos. Uma das principais companhias de dança do Brasil, o Balé Teatro Guaíra, é o grande convidado para a abertura da 13ª edição da Mostra Brasileira de Dança, no Recife, que começa sexta (29), no Teatro de Santa Isabel, e se estende até 7 de agosto.

A companhia paranaense vai exibir aqui dois espetáculos seus, Orikis e Trânsito, ambos com coreografia de Ana Vitória. São montagens antigas, no repertório do grupo desde 2001, mas que voltaram aos palcos depois de uma atualização, feita com a própria criadora do trabalho. Orikis, como define a diretora do Guaíra, Cintia Napoli, parte do conceito de “ori”, a cabeça, onde estão as características de todos orixás. “O trabalho explora gestualidade, os signos, os sentidos dos orixás, com a potência de todo esse universo. É também todo desenvolvido com uma música percussiva e dançado por oito homens”, explica.

Já Trânsito é uma espécie de “caleidoscópio gestual”, segundo Cintia: “Nele, a ideia dos territórios e geografias é composta por uma espécie de mosaico dos gestos”. “Tanto ele quando Orikis são trabalhos mais formais, na maneira da composição e da linguagem corporal. São coreografias geométricas, com movimentos precisos. São parte, também, dessa identidade múltipla do Guaíra”, aponta a diretora.

O bailarino pernambucano Rodrigo Castelo Branco, um dos que participam dos dois espetáculos, vê semelhanças entre os dois trabalhos, apesar das temáticas distintas. “Quando Ana Vitória chegou para atualizar a coreografia, vários bailarinos, como eu, estavam entrando na companhia. Acho que os espetáculos têm as características dela bem marcadas. Trânsito tem movimentos repetitivos, é bem fixa, você consegue observá-la; Orikis fala sobre a relação do ser humano com a divindade”, aponta Rodrigo.

INSTABILIDADE
O Guaíra tem recebido um merecido destaque no cenário da dança, como a sessão de gala do Festival da Dança de Joinville, um dos maiores do mundo. Apesar disso e dos seus mais de 40 anos de existência, a companhia sofre com a perspectiva de ter que parar suas atividades.

Uma decisão do Tribunal de Justiça do Paraná extinguiu boa parte dos cargos ocupados por bailarinos e músicos do Guaíra, por considerar inconstitucional que postos comissionados sejam voltados para atividades artísticas. Com isso, o balé perde 99% dos bailarinos e cerca de 40% dos músicos e pode ter que parar suas atividades a qualquer momento. A saída para continuar existindo é a criação por parte do Governo do Estado do Paraná de um Serviço Social Autônomo (SSA) que contrataria os integrantes do grupo – mas a solução, discutida desde 2014, ainda vai demorar para entrar em prática.

“A nossa ideia neste momento é informar para todos ficarem atentos. Ainda não é o momento de gritar, mas esse momento pode chegar”, explica Cintia. “Aguardamos uma resposta do Tribunal de Justiça sobre um adiamento da extinção dos cargos para podermos fazer a transição para o modelo SSA. Depois, precisaremos que a dotação de verbas para o Guaíra seja suficiente para garantir a autonomia do grupo.”

A situação para os bailarinos também é dúbia. Rodrigo lembra que o Guaíra vive um momento excelente, mas também delicado. “Como bailarino, temos que nos dividir. A gente só quer dançar, fazer nossa arte, que é o propósito da nossa vida. A companhia tem ficado muito unida nesse momento de tanta instabilidade, em que a gente não sabe como vai ser daqui para frente”, lamenta o artista pernambucano. Para Cintia, a vinda para o Recife é importante por isso. “A gente sente que não é uma companhia qualquer, porque a Mostra Brasileira de Dança não é um festival qualquer. É quase um carinho, um afago em nós nessa hora. Isso reforça nossa luta”, anima-se.

Confira a programação completa da 13ª Mostra Brasileira de Dança.

SERVIÇOS

Abertura da Mostra Brasileira de Dança, com Orikis e Trânsito, do Balé Teatro Guaíra – sexta (29/7) , às 20h, no Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio). Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia).

  

Extraído do portal de notícias JC online / Recife – PE
http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/artes-cenicas/noticia/2016/07/28/bale-teatro-guaira-faz-abertura-da-mostra-brasileira-de-danca-246323.php

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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