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Banho de fé: última segunda-feira do ano celebra São Lázaro e Omolu

Igreja de São Lázaro e São Roque, na Federação, reúne fiéis católicos e do candomblé em ‘missa afro’

Alexandre Lyrio

26/12/2016 21:11:00Atualizado em 26/12/2016 21:25:50

 

Pipoca de Omolu para encerrar ano carregado (Foto: Mauro Akin Nassor / CORREIO)
Pipoca de Omolu para encerrar ano carregado (Foto: Mauro Akin Nassor / CORREIO)

Às 18h desta segunda-feira (26), na última missa do dia, o pátio de pedras portuguesas em frente às escadarias era tomado por pipocas: o maior sinal de que o toque africano estava novamente presente em uma das igrejas mais sincréticas de Salvador. Na última segunda-feira do ano, como manda a tradição, fieis católicos e do candomblé lotaram ontem a Igreja de São Lázaro e São Roque, na Federação.

Igreja lotada para última missa do ano  (Foto: Mauro Akin Nassor / CORREIO)
Igreja lotada para última missa do ano 
(Foto: Mauro Akin Nassor / CORREIO)

Como de costume, o povo que cruza a Estrada de São Lázaro até o templo católico deu um banho de fé. Deu e tomou. Na porta, banhos de pipoca eliminavam o mau olhado e serviam de alívio para encerrar bem um ano carregado. Desde as 7h, missas eram celebradas. Mas, na igreja que exalta ao mesmo tempo Lázaro e Omolu, a última celebração foi especial.

Na versão afro, como acontece sempre na primeira e última segunda-feira do ano – e também de cada mês – a missa traz elementos das religiões de matriz africana. Entre cânticos apostólicos surgem atabaques e agogôs convocando à dança. Aos 78 anos, Diva dos Santos era uma das que remexia as cadeiras segurando o saco das ofertas.

“Minha natureza é de alegria. A fé tem tudo a ver com alegria”, explicou dona Diva. As próprias músicas evangelizadoras ganharam suas versões africanas. Ainda em referência ao Natal, o clássico Noite Feliz, por exemplo, foi cantada e tocada no ritmo ijexá. “Eu tenho fé nos dois e celebro os dois”, disse a autônoma Maria Cristina Austriocliano, de 40 anos.

O padre Carlos Kaminski, que além de tudo é Polonês, é um dos incentivadores da celebração e respeita o sincretismo. “Não dá para fugir disso. Não há qualquer problema em incluir elementos locais à liturgia. A história exige de nós respeito e admiração à essa prática”, disse. Segunda-feira, dia 2, tem mais banho de fé em São Lázaro.

 

Entrada da Igreja de São Lázaro e São Roque, na Federação (Foto: Mauro Akin Nassor / CORREIO)
Entrada da Igreja de São Lázaro e São Roque, na Federação (Foto: Mauro Akin Nassor / CORREIO)

 

Extraído do site do Jornal Correio 24hs / Salvador – BA
http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/banho-de-fe-ultima-segunda-feira-do-ano-celebra-sao-lazaro-e-omolu/?cHash=841a799284064cd0cc66f3d50ed41365

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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