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Bicha, preta, afeminada, do Candomblé: 14 anos sem Jorge Lafond

Ato racista e homofóbico do Pe. Marcelo Rossi teria prejudicado a saúde de Lafond

2/01/2017 17:16…Atualizado às 12/01/2017 17:22

Jorge Luís Sousa Lima ou Jorge Lafond. Estudou balé clássico, dança contemporânea africana e formou-se em Artes Cênicas pela UniRio. Chegando a trabalhar com Mercedes Batista, primeira bailarina negra do Theatro Municipal.

Começou sua carreira como bailarino no exterior, com 20 anos, viajando por toda a Europa e Estados Unidos com Haroldo Costa, que tinha uma companhia de dança no qual Lafond permaneceu por dez anos.

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Eventualmente acabou por entrar no corpo de bailarinos do Fantástico em 1974 e depois trabalhou no programa Viva o Gordo, de Jô Soares. Em 1983, participou do especial infantil Plunct, Plact, Zuuum ao lado de Maria Bethânia e Aretha. Em 1987, fez o papel de Bob Bacall na novela Sassaricando, na Rede Globo. Mas sua carreira foi consolidada como “Vera Verão”, do humorístico A Praça é Nossa, do SBT, onde permaneceu por 10 anos. Participou também de outros filmes e novelas.

Além disso, Lafond saía como destaque em carros alegóricos de escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo. Tornou-se ícone do carnaval, um dos primeiros destaques masculinos a explorar a nudez.

Em 10 de novembro de 2002, Lafond foi convidado para participar do quadro “Homens vs. Mulheres” no programa Domingo Legal, no SBT. Caracterizado de Vera Verão, Lafond integrava o lado feminino da disputa, mas foi retirado do palco em dado momento, a pedido do padre Marcelo Rossi, dizendo que não se apresentaria estando no mesmo palco um “homossexual praticante de candomblé”.

No dia 17 de novembro de 2002, uma semana depois do incidente, Lafond foi internado em estado grave, com problemas cardíacos. “Ele não teve como reagir a esta agressão e durante toda a semana ficou cabisbaixo e pensativo”, disse o seu empresário, Marcelo Padilha, o que teria, acredita ele, culminado no mal-estar sentido por Lafond no domingo. Num primeiro momento, os médicos diagnosticaram uma crise hipertensiva. Depois deste incidente, diversas foram suas internações no hospital, tendo desenvolvido um quadro depressivo, até que em 28 de dezembro de 2002, quando seu problema de saúde se agravou com uma crise renal, levando-o à morte em 11 de janeiro do ano seguinte.

Em 2003, ano de sua morte, o G.R.E.S. Acadêmicos do Cubango criou o “Troféu Jorge Lafond” que homenageia os destaques do Carnaval Carioca.

Em 10 de agosto de 2005, representantes de grupos LGBT, especialmente do Quibanda-Dudu, homenagearam o ministro da Cultura, Gilberto Gil, como o mais destacado afro-brasileiro contribuindo na visibilidade homossexual, dando a ele um relatório sobre grupos gays negros do Brasil contendo pequenas biografias de personalidades LGBT negras, como Vera Verão e Madame Satã.

 

 

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Extraído do blog do Jornalista Edilson Nascimento do Jornal Meio Norte
http://www.meionorte.com/blogs/edilsonnascimento/bicha-preta-afeminada-do-candomble-14-anos-sem-jorge-lafond-322533

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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