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Boas orientações devem ser cumpridas

Maria Stella de Azevedo Santos | Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá | opoafonja@gmail.com

Qua, 13/08/2014 às 08:52

 

Esteve aqui na Bahia no período de 28 a 31 de julho do presente ano em visitação a alguns terreiros de candomblé o Alaafin de Oyó, sua majestade Oba Adeyemi III e sua comitiva, fortalecendo ainda mais os laços existentes entre Brasil e África. O referido Obá reina sobre o estado de Oyó/Nigéria, território de Xangô, orixá bastante respeitado e cultuado por defender tudo o que é justo. Xangô também é conhecido por ser vaidoso e seus filhos se aproveitam disto e terminam correndo o risco de não serem apenas vaidosos, mas sim vaidosos e arrogantes.

Ninguém pode nem deve renegar sua verdadeira natureza, entretanto todos têm o dever de manter essa natureza, que é a própria essência divina de cada um, em estado de equilíbrio para que traga benefícios a si mesmo e para que possa estar a serviço do outro. E foi assim que percebi, no rei, um Xangô muito bem vestido, elegante, de uma beleza particular e de uma simplicidade ímpar e imperativa.

As palavras ditas por Xangô são como fogo que destrói as injustiças, mas que também iluminam a mente e o coração dos seres humanos, que desejam e permitem serem iluminados, para que sejam capazes de se tornar cada vez mais justos. Cada frase dos discursos proferidos pelo rei era como uma lâmpada e iam se acendendo até iluminarem todo o ambiente.

Em sua fala no terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê (Gantois), ele pediu a todos nós, que herdamos dos africanos o compromisso e a honra de vivenciar a cultura religiosa do povo yorubá, que protegêssemos estes valiosos conhecimentos com a força do espírito, e nos desejou bons augúrios com a belíssima frase: “Assim como ninguém é capaz de parar a chuva, a chuva não poderá ser capaz de parar vocês.” Essa sentença curta e profunda provém de um mito contido no sistema oracular de Ifá, que transmito aqui de forma reduzida, acatando assim, com muita boa vontade, o pedido que o rei nos fez: o de proteger e salvaguardar a cultura religiosa do povo yorubá:

Orunmilá e outras divindades resolveram vir para a Terra e procuraram seis babalawos, dois deles tinham os seguintes nomes: “É inteligente honrar Xangô curvando-se para presenteá-Lo no local onde Ele está assentado”; “Um servidor que se curva para Xangô deve ter medo de roubar qualquer lugar”. Um terceiro sacerdote de Ifá tinha em seu nome o segredo para que Orunmilá tivesse sucesso em Sua jornada. Ele se chamava: “Os duzentos sacerdotes de Orunmilà, mesmo imersos na chuva, foram encorajados a alinharem-se e a, corajosamente, seguirem de maneira reta, tendo como direção o som do mercado, a fim de ocupar as casas construídas na Terra, passando a ser dono delas”.

Todas as divindades foram orientadas, mas somente Orunmilá seguiu as orientações. E foi por isso que Orunmilá pode ter em Sua companhia as divindades responsáveis pela prosperidade e pelo dinheiro. Durante a jornada para chegar ao Àiyé (Terra), choveu torrencialmente. Orunmilá não se protegeu da chuva; Orunmilá não se protegeu de nada nem de ninguém. Orunmilá confiava nos sacerdotes; Ele confiava em Seus nobres objetivos. Orunmilá não teve medo de seguir em frente, vencendo através da força do espírito as intempéries naturais da vida.

 

Extraído do Portal A Tarde

http://atarde.uol.com.br/opiniao/noticias/boas-orientacoes-devem-ser-cumpridas-1613872

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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