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Brasil aposta em religião e canta ícones do candomblé e do catolicismo

Por conta do atraso no início, a escola passou pela avenida em 54 minutos

GABRIEL OLIVEIRA

18/02/2017 – 04:03 – Atualizado em 18/02/2017 – 07:41

Escola apresentou ícones do candomblé e do catolicismo na avenida (Imagens: Strateji Studio/A Tribuna)

Penúltima escola a desfilar na primeira noite do Carnaval de Santos, a Brasil apostou na religião e passou pela Passarela do Samba Dráusio da Cruz cantando Oxum, a rainha das águas doces, e Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

O desfile começou tenso, com muita correria para organizar a entrada da escola na avenida. É que, conforme explicou o carnavalesco Michael Smith, um erro na organização fez com que a bateria ficasse atrás do carro abre-alas, sendo que, pela ordem definida, deveria estar na frente.

Durante a indefinição, a ala musical é que conduziu a folia. A bateria só começou a tocar aos 10 minutos. “Não acredito que vamos perder pontos por isso, porque os jurados não viram. Foi antes da entrada”, comentou Michael, já esboçando sorrisos depois de se estressar muito na concentração.

Desfile da Brasil contagiou o público na Passarela Dráusio da Cruz (Foto: Alexsander Ferraz/A Tribuna)

Passado o susto inicial, a escola contou com a animação dos 1 mil componentes. Gente como a autônoma Maria Cristina de Azevedo Candeia, de 48 anos, que desfilava pela primeira vez. “Hoje já desfilei pela Unidos da Zona Noroeste e estou saindo pela Brasil. Amanhã vou Bandeirantes do Saboó e Vila Mathias. E no domingo, Mãos Entrelaçadas. Tem que ter muito pique”, contou, entre risos, dizendo que o segredo para a preparação física para encarar a maratona é a boa alimentação. “Só salada e comida saudáveis”.

Outra componente pura animação era a dona de casa Sônia Regina Santos, de 53 anos, que está em seu terceiro Carnaval na Passarela do Samba Dráusio da Cruz. “Estou com o genro e minha filha. É uma emoção desfilar com a família”.

Por falar em emoção, a Brasil buscou tocar o público com ícones do candomblé e do catolicismo. “Mostramos a rainha da água doce e da vinda para o Brasil, assim como Nossa Senhora Aparecida, pela fé do povo brasileiro”, explicou o intérprete Júnior Bicalho.

O também intérprete Leandro Paçoca citou as dificuldades econômicas que a Brasil e as demais escolas de Santos enfrentaram neste ano, em razão da diminuição de 50% no repasse de dinheiro da Prefeitura. “Foi muito difícil com esse Carnaval nos deram, mas estamos felizes e confiantes com tudo o que estamos fazendo”.

Por conta do atraso no início, a Brasil passou pela avenida em 54 minutos, apenas 1 minuto a menos do que o tempo máximo permitido, mas fez bonito e conseguiu mexer com o público.

 

Raio-X da Brasil

Cores: verde, amarelo, azul e branco
Títulos: 16
Presidente: Sandra Aparecida Franco da Silva
Direção de Carnaval: Toninho Brasileiro
Carnavalesco: Michael Smith
Intérpretes: Júnior Bicalho e Leandro Paçoca
Diretor de harmonia: Elder
Comissão de Frente: Guilherme Gama
Porta-bandeira: Giovanna
Mestre-sala: Luan
Enredo 2017: A Deusa das Águas É Senhora da Vida, a mulher negra. Padroeira do Amor – Eis o encanto que nos uniu sob o manto da Brasil
Componentes: 1 mil
Alas: 14
Carros alegóricos: 3
Bateria: 160 ritmistas sob o comando do mestre Binho / estandarte de ouro
Rainha de bateria: Lezir Ferreira
Compositores Samba-enredo: Ademarzinho do Cavaco, Makumba, Rafa Neves, Willian Cabelo, Walid Omar, Hans Magalhães, Paulinho Chiclete e Toninho 4

Samba-enredo (letra/áudio)

Ora Iye Iye o mãe mãe Oxum
Abençoai o coração de cada um
Eis o encanto que nos uniu
Bate o tambor, chegou Brasil

AGÔ, ooo das águas eu vim contar
Que no reino de Larô, havia mistério no ar
A correnteza a filha do rei levou
E com a graça de um orixá voltou
A comunhão que vem de lá… Ataojá!
A deusa da pele negra, se relevou
Beleza… no coração de Xangô
O Abebé reflete seu amor,
Senhora do ouro és vaidosa
Babalotim nos proteja do mal
Ekodidé… misteriosa, Ilumina o meu carnaval

Atravessou o mar
Pelo país espalhou seu axé
Traçando na religião, milagres e muita fé
Joga rede pescador…
Aparecida, padroeira do Brasil
É dela o “Feitiço” que incendeia
O samba que corre nas veias
A rosa de ouro reluz ao seus pés
E o povo em união pedindo axé

 

 

Extraído do site do Jornal A Tribuna / Santos – SP
http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/carnaval/brasil-aposta-em-religiao-e-canta-icones-do-candomble-e-do-catolicismo/?cHash=497ac509632e345f4be0d7a3139cf271

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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