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Brasília faz ato de desagravo à intolerância religiosa

Ministro da Cultura critica o "afloramento de doenças sociais como a discriminação, a homofobia e o racismo"

por Portal Brasil | Publicado: 18/03/2016 12h00 | Última modificação: 18/03/2016 14h44
Acácio Pinheiro/Ascom MinC
Acácio Pinheiro/Ascom MinC
MinC promoveu ato de desagravo à recorrente violência contra as casas de religião de matriz africana   Noeme Ferreira, responsável pelo Centro Espírita Afro-Brasileiro Ilé Axé Iemanjá Ogum Té, localizado em Valparaíso de Goiás, entorno do Distrito Federal, deparou-se, ao voltar de viagem na semana passada, com uma triste cena: o terreiro de candomblé havia sido invadido e completamente depredado. A sua casa e o barracão que abrigava os objetos sagrados e os altares foram completamente destruídos. As paredes estavam todas no chão. No local, havia um bilhete com nome de uma instituição evangélica. Casos de desrespeito e de intolerância religiosa, como o sofrido por Noeme, vêm se tornando comuns no Brasil. Segundo dados da Fundação Cultural Palmares (FCP), o templo em Valparaíso de Goiás foi um dos 21 depredados, saqueados ou queimados no DF e entorno desde o ano passado. Em 2015, o Disque 100 (do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, Juventude e dos Direitos Humanos) registrou 705 crimes de intolerância religiosa entre atos de vandalismo, perseguição e racismo no Brasil. A luta contra a intolerância religiosa é uma das pautas prioritárias do Ministério da Cultura (MinC). Na manhã desta quinta-feira (17), a FCP e o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico nacional (Iphan) promoveram, em Brasília, ato em desagravo à recorrente violência contra as casas de religião de matriz africana. Estiveram presentes o ministro da Cultura, Juca Ferreira, a presidenta da FCP, Cida Abreu, o diretor de Patrimônio Imaterial do Iphan, TT Catalão, e diversos líderes religiosos. Durante o ato, o ministro Juca Ferreira enfatizou que o MinC tem a missão de cuidar das expressões simbólicas do País. "O Estado, por meio do Ministério da Cultura, tem a obrigação de defender a diversidade e as manifestações culturais do Brasil. O Brasil é um dos países mais diversos do mundo, e é preciso zelar por isso", pontuou. Juca Ferreira também falou sobre o momento "difícil" vivido pelo País, com "afloramento de doenças sociais como a discriminação, a homofobia e o racismo". "Minha posição pessoal é a de que o Brasil tem sido muito leniente com essas enfermidades. Conheço de perto o candomblé, e é uma religião que vem da África e, por isso [entre outros motivos], há destruição de terreiros", disse. "Sou solidário e, sempre que posso, defendo a necessidade de combater essas enfermidades", completou. A presidente da FCP, Cida Abreu, enfatizou que a luta contra a intolerância religiosa é agenda prioritária da fundação e frisou a difícil conjuntura política e social atual. "O Brasil é um país diverso, continental, não dá para falar que uma fé é maior que outra. Não podemos deixar essa bandeira da intolerância ganhar força", ressaltou. O ato de desagravo ocorreu após visita à exposição Patrimônio Imaterial Brasileiro – A Celebração Viva da Cultura dos Povos, na Caixa Cultural Brasília. Para o diretor TT Catalão, fazer o ato de desagravo no local da exposição tem um significado especial. "É uma exposição que celebra a diversidade cultural brasileira e, quando se fala em intolerância e racismo, é a diversidade que está sendo agredida. É impedir a convivência com o diferente. E isso não pode acontecer", considera. Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Cultura     Extraído do portal do Governo Federal Brasileiro / Brasília - DF http://www.brasil.gov.br/cultura/2016/03/brasilia-faz-ato-de-desagravo-a-intolerancia-religiosa

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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