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Busto de Mãe Gilda reforça combate à intolerância religiosa

A yalorixá Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda, se tornou símbolo de resistência pela afirmação das religiões de matriz africana

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Da Redação

Publicada em 28/11/2016 14:07:59

Foto: Elói Corrêa/GOVBA

Lideranças de movimentos sociais e representantes da sociedade civil e do poder público participaram do ato, que reforçou a luta contra a intolerância religiosa
Lideranças de movimentos sociais e representantes da sociedade civil e do poder público participaram do ato, que reforçou a luta contra a intolerância religiosa

Foto: Elói Corrêa/GOVBA

Alvo de vandalismo em maio deste ano, o busto de Mãe Gilda está recuperado. O monumento, localizado no Parque do Abaeté, no bairro de Itapuã, foi entregue à população na manhã desta segunda-feira (28), integrando as ações do Novembro Negro em Salvador. Lideranças de movimentos sociais e representantes da sociedade civil e do poder público participaram do ato, que reforçou a luta contra a intolerância religiosa.

Para Mãe Jaciara dos Santos, filha biológica de Mãe Gilda e atual ialorixá do Abassá de Ogum, a homenagem lembra a luta pela liberdade de culto e respeito às religiões afrobrasileiras.

“Esse é um marco da nossa luta. Falar de Mãe Gilda e revitalizar o busto não é apenas celebração, é uma maneira de dizer não ao racismo e à intolerância religiosa, que, de maneira velada ou não, têm crescido”, afirma a ialorixá.

O ato foi uma realização conjunta do Terreiro Abassá de Ogum, Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi) e Comitê Interreligioso da Bahia (Cirb).

A relevância da ação é justificada pelo aumento do número de casos de preconceito na Bahia.

Em 2016, 169 casos de violação de direitos foram registrados pelo Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, sendo 117 de racismo e 52 de intolerância religiosa.

 

Centro Nelson Mandela 

Alvo de discriminação, a advogada Gabriela Ramos recebeu o suporte da rede de atenção do Estado para superar os efeitos negativos do problema social.

“Eu procurei o Centro de Referência Nelson Mandela e tive acesso a um atendimento interdisciplinar, com serviço social, advogados e psicólogos. Esse instrumento é muito importante. Ter uma rede articulada acaba facilitando o acesso para medidas de denúncia”, comenta Gabriela.

Vinculado à Sepromi, o equipamento oferece apoio psicológico, jurídico e social a vítimas de racismo e intolerância religiosa na Bahia. Também possui uma biblioteca especializada em relações raciais e realiza atividades formativas com o público interno e segmentos variados da sociedade civil.

De acordo com a titular da Sepromi, Fabya Reis, o centro faz parte de uma rede de atenção formada para acolher e auxiliar as vítimas sobre como agir para combater o racismo e a intolerância religiosa.

“A rede conta com a participação de vários órgãos do Executivo e Judiciário. Além do Governo do Estado, Ministério Público, Defensoria Pública e Tribunal de Justiça fazem parte da rede que garante o acompanhamento completo da vítima e do processo para a responsabilização de quem cometeu o crime de racismo e intolerância religiosa”, explica a secretária.

 

Mãe Gilda

A yalorixá Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda, se tornou símbolo de resistência pela afirmação das religiões de matriz africana. O caso da liderança é um dos mais emblemáticos na luta contra o racismo e o ódio religioso no País.

Após ter a imagem maculada e o terreiro (Ilê Axé Abassá de Ogum, em Salvador) invadido e depredado por representantes de outra religião, a sacerdotisa teve agravamentos de problemas de saúde e faleceu em 21 de janeiro de 2000.

O ato repercutiu amplamente, resultando em projetos de lei na esfera municipal e, em seguida, sendo reconhecido na esfera federal pelo então presidente Lula que, em 2007, sancionou o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, fazendo da data um marco para fomentar o debate acerca do respeito às diferentes crenças e à liberdade de culto.

 

 

Extraído do site do Jornal Tribuna da Bahia / Salvador – BA
http://www.tribunadabahia.com.br/2016/11/28/reinauguracao-do-busto-de-mae-gilda-reforca-combate-intolerancia-religiosa

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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