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Câmara faz homenagem a Pai Air, herdeiro da família Bamboxê

postado por Cleidiana Ramos @ 6:00 PM

28 de setembro de 2015

Os 70 anos de iniciação religiosa de Pai Air é motivo de uma sessão especial na Câmara de Salvador. Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE
Os 70 anos de iniciação religiosa de Pai Air é motivo de uma sessão especial na Câmara de Salvador. Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE

A Câmara de Salvador faz, amanhã, terça, às 19 horas, uma sessão especial para festejar os 70 anos de iniciação religiosa do babalorixá Air José, líder do Pilão de Prata.

A homenagem celebra também a resistência de uma longa linhagem familiar que tem sido extremamente importante para a consolidação do candomblé no Brasil: a família Bamboxê Obitikô.

Pai Air, por exemplo, foi iniciado por sua tia biológica, Caetana Sowzer, sacerdotisa da Casa Branca e fundadora do terreiro Làjoumim , localizado no Engenho Velho da Federação. Foi ela também quem o auxiliou na fundação do Pilão de Prata.

“É raro que afrodescendentes baianos tenham a oportunidade de conhecer a árvore genealógica de sua família tão detalhadamente como acontece com pai Air José”, destaca o vereador Sílvio Humberto (PSB), autor do requerimento que possibilitou a realização da sessão.

Além disso, de acordo com o vereador, é uma ação importante na luta para combater a intolerância religiosa.

“No momento em que percebemos a persistência de casos de intolerância religiosa essa sessão é uma afirmação de respeito às religiões de matriz africana”, diz o vereador.

História

Pai Air José é descendente de Bamboxé Obitkô, título do africano Rodolfo Manoel Martins de Andrade. “Mais conhecido por seu nome iorubá, Bamboxê Obitikô, ele é um dos personagens históricos mais ilustres do candomblé”, afirma Lisa Earl Castillo, pesquisadora do curso de pós-doutorado do Centro de Pesquisa em História Social da Cultura da Unicamp.

Sacerdote de Xangô e babalaô – título dado aos iniciados no culto de Ifá, divindade dos oráculos – Bamboxê tem sua história ligada a terreiros como a Casa Branca, considerado o mais antigo dentre os de nação ketu (culto de orixás) no Brasil.

“Ele , é lembrado também no Recife e no Rio de Janeiro por seu papel na fundação de dois terreiros antigos, o Sitio de Pai Adão e o Ilê Axé Opô Afonjá no Rio de Janeiro”, completa a pesquisadora.

Lisa Castillo destaca que, além de iniciar várias pessoas, Bamboxé Obitikô deixou uma linhagem biológica que se manteve em evidência na consolidação do candomblé na Bahia. Ele deixou descendentes também em Lagos, na Nigéria.

Dentre os baianos estão seu neto biológico Felisberto Américo Sowzer e suas filhas Caetana América Sowzer, Regina Topázio Sowzer e Irenea Topázio Sowzer. “Todas as três se tornaram ilustres ialorixás”, completa Lisa.

No ramo nigeriano, outra descendente de Bamboxé é a política e radialista Erelu Lola Ayonrinde Bernardina Bamgbose Martins. Natural de Lagos, atualmente ela mora na Inglaterra.

“ Como Caetana, sua prima brasileira, Erelu é também apetebi , nome que se dá à sacerdotisa de adivinhação de Ifá”, acrescenta Lisa Castillo.

 

 

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Extraído do blog Mundo Afro, da versão digital do Jornal A Tarde / Salvador – BA
http://mundoafro.atarde.uol.com.br/camara-faz-homenagem-a-pai-air-herdeiro-da-familia-bamboxe/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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