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Caminhada defende liberdade religiosa em Copacabana

Líderes religiosos pediram paz e ação do estado no sentido de enquadrar ataques contra pais e mães de santo como terrorismo

A 10ª Caminhada contra a intolerância religiosa reuniu centenas na Atlântica – Custódio Coimbra / Agência O Globo

 

POR BRUNO CALIXTO

17/09/2017 16:49 / atualizado 17/09/2017 22:10

 

RIO – Respeito e punição. Estas foram as duas palavras de ordem durante a caminhada em defesa da liberdade religiosa promovida na orla de Copacabana na tarde deste domingo pela Comissão de Combate à Intolerância.

– É um genocídio cultural – diz o umbandista André Lima.

A caminhada teve início às 13h e durou cerca de duas horas. Os organizadores estimam 50 mil pessoas no ato, a grande maioria vestida de branco.

– Há uma perigosa mistura de traficantes de drogas com fanáticos de outras religiões, que inclusive estão por trás de casos de violência que vieram á tona nas redes esta semana – opina um praticante de candomblé, sobre os vídeos que circularam na internet com cenas de agressões sofridas por mães e pais de santo na Baixada Fluminense.

10ª Caminhada contra a intolerância religiosa, em Copacabana – Custódio Coimbra / Agência O Globo

Em 2016, foram registrados 759 casos de intolerância no estado do Rio de Janeiro. No fim da caminhada, líderes religiosos pediram paz e ação do Estado no sentido de transformar atos de intolerância em terrorismo.

O babalawô Iavnir dos Santos participou do ato e cobrou das autoridades uma posição mais enérgica contra os crimes de intolerância.

– A motivação dessa caminhada é igual a da primeira, que aconteceu em 2008. Isso mostra que os poderes legislativo, executivo e judiciário não fizeram nada. Mostramos uma reação bem forte, porque hoje não reunimos as pessoas da Umbanda, tínhamos evangélicos e outros grupos conosco. Nós estamos aqui, mas uma coisa é o estado, e outra é a sociedade civil. Cabe ao poder público tomar medidas concretas para que esses crimes sejam reconhecidos como tal e punidos. A comunidade tem que ficar vigilante e ser ouvida. As autoridades têm que aplicar uma lei mais severa e o Governo Federal deveria reconhecer que isso é um problema – afirmou o babalwô que vai se reunir na próxima sexta-feira com Eduardo Gussem, procurador geral de Justiça do Rio.

Para o artista plástico Afonso Tostes, é “absurdo é pensar que a liberdade de expressão e demostração de fé, seja ela qual for, estejam ameaçadas pelo terrorismo”.

– O pior ainda é saber que tamanho crime e violência, se dá no Rio de janeiro, cidade e estado conhecidamente (pelo menos a algum tempo atrás) como lugar das vanguardas e de pensamentos progressistas – diz.

As perseguições que as manifestações de matriz africana, principalmente o candomblé e umbanda, vêm sofrendo já há alguns anos e intencificadas está semana, para Afonso Tostes (Aparodé do Ilê Omiojuarô), não podem ser tratadas como gota d’água no oceano.

– Na verdade este oceano já está transbordando, e não precisa morrer mais gente, em sua maioria pretos e jovens. para que, não só o estado, mas a sociedade, se posicione. Não será um estado nada laico é muito menos interessado que vai agir. Temos nós que pegar a responsabilidade de transformar este lugar em um país digno para os nossos filhos e netos. Axé

A Polícia Civil identificou parte dos autores de sete ataques contra terreiros de umbanda e candomblé, ocorridos nas duas últimas semanas, em pontos diferentes de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Uma pessoa foi indiciada em um inquérito policial, com base na Lei de Racismo, por discriminação religiosa.

Leia também: Historicamente perseguidas por igrejas, Estado e polícia, religiões afro-brasileiras enfrentam, agora, a intolerância e a violência do tráfico

Extraído do site do Jornal O Globo / Rio de Janeiro – RJ
Leia mais: https://oglobo.globo.com/rio/caminhada-defende-liberdade-religiosa-em-copacabana-21834481#ixzz4tLjfkisK 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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