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‘Caminhada para Ogum’ visa explicar conceitos da religião em Mogi

 

13 de abril de 2017  CidadesQUADRO DESTAQUE

Grupo pretende desmistificar as ideologias da Umbanda e Candomblé. (Foto: Divulgação)

Adeptos da Umbanda e Candomblé de Mogi das Cruzes e Região programam para um domingo, dia 23 de abril, a 1ª Caminhada para Ogum, que será realizada em ruas da área central da Cidade, com o objetivo principal de desmistificar conceitos que muitas pessoas ainda têm em relação aos cultos de origem africana que ocorrem em terreiros de todo o País.

Promovido pela Associação Axé Mogi, o evento terá concentração, a partir de 9 horas, no Largo Bom Jesus, no Centro da Cidade, de onde os líderes religiosos e seus seguidores deverão descer pela Rua Dr. Ricardo Vilela, em procissão, até a Rua Dr. Deodato Wertheimer. De lá, o grupo seguirá para o Largo do Rosário, onde haverá exposições e apresentações com artistas do Alto Tietê e também da Capital.

“Este será um trabalho para unir os terreiros de Umbanda e casas de Candomblé na Região de Mogi, que não são aceitas como religiões. Porém, nós somos religiões de origem africana, especialmente o Candomblé, que veio da África trazido pelos escravos, enquanto a Umbanda, mesmo com suas raízes negras e africanas, foi criada no Brasil”, explica Márcio Roberto de Sousa, o Pai Roberto de Xangô, sacerdote da Umbanda e vice-presidente da Associação Axé Mogi.

“Nossa meta é desmistificar o lado negativo que ainda persiste na sociedade em relação às religiões de origem afro. Muita gente ainda costuma promover a demonização dessas religiões e, por absoluto desconhecimento, atribuem a elas algo do mal, sem conhecer a fundo os seus fundamentos”, diz Pai Roberto de Xangô, apostando que eventos como o do próximo dia 23, quando se comemora o Dia de Ogum, que no sincretismo religioso corresponde ao São Jorge dos católicos, podem ajudar a acabar com o estigma que ainda cerca os cultos umbandistas e de Candomblé.

A Associação Axé Mogi também acredita que por meio de eventos culturais, como a festa de Cosme e Damião, o Dia da Umbanda comemorado em 15 de novembro e o próprio Dia de Ogum são oportunidades para expor à comunidade em geral os reais fundamentos desses cultos.

Questionado se não há quem se dedique ao mal nos terreiros, Pai Roberto de Xangô responde com outra pergunta: “E onde o mal não está presente? Entre todas as profissões há os bons e os maus. Os que buscam bem, mas os que fazem o mal. Mas a grande maioria dos praticantes da Umbanda e Candomblé busca fazer o bem às pessoas”, garante.

Entre os adeptos da política de desmistificação religiosa está o artista plástico Lindemberg Aguimar Alves, representante do Candomblé de Angola, que irá apresentar algumas de suas obras nas exposições do Largo do Rosário. Lá haverá também mostras sobre as religiões de origem africana, que serão feitas por Pai Jason, presidente do Axé Mogi, pais de santo e representantes de nações do Candomblé.

“No Largo, haverá inúmeras atrações, como toques e cantos apresentados por representantes dos terreiros e simpatizantes, que são muitos. Por meio desse lado cultural e religioso, teremos oportunidade para quebrar, pouco a pouco, a imagem que se tem do Candomblé e Umbanda por aí afora. Os terreiros estão aí para fazer caridade”, diz Lindemberg.

 

 

“Muita gente tem simpatia pelos cultos e participa deles, mas em razão do preconceito, chega a participar de eventos fora de Mogi. Essa é uma oportunidade para que todos se unam em torno de seus cultos”, afirma Sandra Aparecida dos Santos.

Hoje, em Mogi, existem 262 terreiros espalhados, principalmente pela periferia da Cidade.

A Caminhada de Ogum tem o apoio da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de Mogi, Unegro, Comissão Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir) e CAD Caxamba, que irá montar as tendas e palco na praça.

Outros apoios oferecidos ao evento deverão ser revertidos em fraldas infantis e geriátricas, além de água mineral para a Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes.

 

Extraído do site do Jornal Diário de Mogi / Mogi das Cruzes – SP
http://odiariodemogi.com.br/caminhada-para-ogum-visa-explicar-conceitos-da-religiao-em-mogi/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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